Com resultados em queda, bancos europeus anunciam demissões

Operações de renda fixa deverão ser as mais penalizadas por exigirem maior comprometimento de capital das instituições

Os bancos europeus começarão uma nova onda de demissões, em virtude da queda das receitas em negócios importantes e novas regulamentações que estão prejudicando o lucro. O banco suíço UBS afirmou nesta terça-feira que reduzirá sua equipe como parte de um plano para cortar até 2 bilhões de francos suíços ( 2,49 bilhões de dólares) em gastos. A medida é anunciada pouco após a divulgação de uma queda de quase 50% no lucro líquido no segundo trimestre, que ficou em 1,02 bilhão de francos suíços, em parte devido a uma forte queda nas receitas com renda fixa. Já o Credit Suisse deve anunciar a demissão de quase 1,6 mil funcionários quando divulgar seu balanço trimestral, na quinta-feira, segundo uma fonte com conhecimento do assunto.

Os bancos britânicos, incluindo o Lloyds, Royal Bank of Scotland (RBS) e Barclays, também têm reduzido suas equipes, num esforço para tornar os negócios mais eficientes. Barclays, Lloyds e HSBC também anunciaram recentemente que planejam fechar algumas de suas unidades no exterior. O Reino Unido divulgou hoje uma desaceleração no crescimento no segundo trimestre, destacando o frágil cenário econômico no país.

No curto prazo, muitos clientes de bancos de investimento e bancos privados optaram por realizar menos negócios este ano por causa da volatilidade nos mercados. “Os bancos estão observando uma volatilidade nos fluxos de receitas, e eles precisam tentar adaptar sua base de custos. Além disso, existe uma pressão regulatória sobre quais riscos eles podem assumir para diferentes tipos de produtos”, diz Andrew Lim, analista bancário do Execution Noble.

Os analistas acreditam que as operações de renda fixa são as que devem ser mais prejudicadas, porque as normas de Basileia 3 tornam mais custoso para os bancos oferecer produtos desse tipo para os clientes. Como alternativa, muitos bancos de investimento estão tentando expandir os serviços de consultoria corporativa, ações, câmbio e outras atividades que não exigem o comprometimento de tanto capital.

As novas regulamentações são um ônus para os bancos, que ainda estão tentando se reestruturar após a crise financeira mundial. O Lloyds, no qual o governo do Reino Unido tem uma participação de 41%, afirmou em junho que vai cortar 15 mil empregos, para se focar nas unidades britânicas. O alemão Commerzbank já demitiu 7,4 mil funcionários, como parte da sua integração com o Dresdner Bank, anunciada durante a crise financeira.

(Com Agência Estado)