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China reforma iuan e dá mais liberdade à moeda

Moeda chinesa poderá ser valorizada ou desvalorizada em 1% todos os dias - limite anterior era de 0,5%

A China deu neste sábado um passo histórico para tornar o iuan uma divisa global, dobrando sua variação em relação ao dólar e realizando uma reforma crucial que vai liberalizar ainda mais seu jovem mercado financeiro. O Banco Popular da China afirmou que permitirá que o iuan valorize ou desvalorize 1% todos os dias, a partir de segunda-feira. O limite passado era de 0,5%.

A medida mostra que Pequim acredita que o iuan está perto de seu nível de equilíbrio e que a economia chinesa, embora em desaceleração, é robusta o suficiente para aceitar importantes reformas estruturais, disseram especialistas. “O banco central escolheu uma boa hora para aumentar sua variação monetária. A expectativa do mercado de um iuan forte está enfraquecendo”, afirmou Dong Xian’an, economista-chefe da Peking First Advisory, em Pequim.

Investidores esperavam que a China aumentasse o limite de variação do iuan neste ano, graças a repetidas pistas dadas por Pequim de que essa mudança deixaria o país a um passo de atingir sua meta financeira: um iuan conversível até 2015. Ter uma moeda que é usada com poucas restrições também eleva o status de Xangai como centro financeiro. A China quer transformar a cidade em um centro bancário mundial até 2020.

Em pequeno comunicado em seu website, o Banco Popular da China disse: “Neste momento, o desenvolvimento do mercado de câmbio da China está amadurecendo, a habilidade do mercado de precificar independentemente e controlar riscos está crescendo diariamente”. A meta final do governo é de que o iuan comece a rivalizar com o dólar como moeda de reserva mundial.

O iuan, também conhecido como “dinheiro do povo”, atingiu um recorde de alta a 6,2884 em relação ao dólar no dia 10 de fevereiro, mas mudou pouco no ano, enfraquecendo 0,14% desde janeiro. “O iuan está próximo de um equilíbrio. Esperamos que ganhe apenas 1,4% em relação ao dólar neste ano”, afirmou Lan Shen, economista do Standard Chartered Bank, em Xangai.

O valor do iuan sempre foi ponto de discussão entre a China e seus parceiros comerciais, principalmente os Estados Unidos, que alegam que o país asiático suprime a moeda para aumentar as exportações. A China rejeita tal acusação. A última vez que o país modificou sua política monetária foi em junho de 2010.

(Com agência Reuters)