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Calendário e falta de BC no câmbio reduzem liquidez

Por Fernando Nakagawa

Brasília – A recente falta de dinheiro no mercado obrigou o Banco Central a oferecer recursos às instituições financeiras no “overnight” pela segunda vez em dois dias, totalizando mais de R$ 11 bilhões. Nesta quarta-feira, foram R$ 6,610 bilhões e, na terça, R$ 4,420 bilhões.

Dois fatores explicam a atuação: o fim do trimestre, período em que tradicionalmente há menos recursos em circulação, e a ausência de intervenções do BC na ponta compradora de dólar, operação que injetava reais e, por isso, garantia liquidez.

O mercado tem sido acompanhado com lupa pela autoridade monetária, que mantém a avaliação de que a escassez de recursos nos últimos dias é pontual e não gera maiores preocupações. É rechaçada a hipótese de que o mercado estaria sofrendo por um efeito da crise internacional.

A avaliação tranquilizadora do BC também é sustentada pelo calendário, pois normalmente o mercado tende a ficar menos líquido em dias que antecedem o vencimento de grandes lotes de títulos públicos. São R$ 130 bilhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) que serão resgatados em 1º de julho. O resgate dos papéis vai adicionar liquidez no mercado, o que deve restabelecer as condições consideradas “normais” na próxima semana.

A concentração de vencimentos de LTN acontece em geral na chamada “cabeça de trimestre”: o início dos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Nos dias que antecedem esses resgates, não é incomum registrar menor liquidez momentaneamente no mercado aberto.

Atualmente, a falta de liquidez fica ainda mais evidente porque o BC está há várias semanas ausente do mercado cambial. Quando a instituição adquire à vista a moeda norte-americana dos bancos, entrega reais para pagar a compra. A operação, portanto, aumenta o volume de dinheiro em circulação, o que minimiza os efeitos da falta de liquidez.