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Brasil tem férias longas demais? Não é bem assim

Vídeo divulgado pelo Ministério do Trabalho no último domingo, posteriormente corrigindo, ignorou diferenças como dias úteis e corridos

O Ministério do Trabalho publicou no último domingo um vídeo no Facebook comparando o tempo de férias em onze países do mundo. Nele, o Brasil aparece como o local em que os trabalhadores teriam direito ao maior período de descanso anual, superando países desenvolvidos como Suécia, França, Estados Unidos e Japão. Ocorre que a comparação, que despertou críticas de internautas, contava com dados incorretos e ignorou diferenças nas leis trabalhistas.

No caso do Brasil, o erro estava em comparar dias corridos previstos na lei com dias úteis, das regras de outros países. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê 30 dias corridos. Para efeito de comparação, um estudo sobre condições de trabalho feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão ligado à ONU, considera que seriam 21 dias úteis.

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Segundo essa metodologia, o período determinado na regra de 145 países são convertidos em dias úteis. Assim, o Brasil ficaria atrás de França e Suécia (25 dias cada), e empataria com a Arábia Saudita no terceiro lugar da lista do Ministério do Trabalho. O estudo da OIT considera os Estados Unidos como um país sem regra definida em nível nacional para tempo mínimo de férias. O levantamento mais atual da OIT é de 2012.

Outra diferença não levada em conta no vídeo é que alguns países, como Japão, Argentina e Turquia, têm regras que adicionam mais tempo às férias conforme o tempo de carreira do funcionário.

O Ministério do Trabalho publicou, na última terça-feira, uma versão corrigida do vídeo, desta vez fazendo a comparação de dias úteis.

Salário mínimo

O estudo Working Conditions Laws Report (Relatório das Leis sobre Condições de Trabalho, em tradução livre), da OIT, traz também a comparação da exigência legal mínima de outros aspectos trabalhistas, como o salário mínimo. O relatório converte os valores locais previstos em 2011 para um salário mensal em dólares – existem países cujo cálculo do salário é por hora ou por dia.

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Se levados em conta os mesmos países da comparação de férias, o Brasil é apenas o sétimo colocado, com 326 dólares por mês. O valor do mínimo considerado à época era de 545 reais por mês. Atualmente, é de 880 reais, o equivalente a 274 dólares no câmbio de hoje.

Comentários

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  1. Emanoel Meireles

    E os dias em que Neva, tem furacão, tornado e que os gringos ficam em casa, conta? A desgraça do brasileiros não são as férias. São esses políticos, que tem férias de três meses e décimo quinto salário.

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  2. Façam o seguinte, voltemos a escravidão, assim quem sabe os empresários e governo enchem a burra de dinheiro e ficam satisfeitos!

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  3. Felipe Alves

    Moro na Suécia e gostaria de esclarecer algumas coisas:
    1 – minhas férias são realmente maiores do que as do Brasil, mas aqui não existe adicional de um terço de férias.
    2 – Aqui não existe salário mínimo. Existem salários mínimos definidos em acordos coletivos entre patroes e empregados. Isso abrange uns 90% da população. O resto simplesmente não tem salário mínimo.
    3 – Leis trabalhistas aqui são bem mais simples e não existe nada parecido com esse câncer chamado CLT que quer regular tudo.

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  4. Cesar8002UTB

    Conforme já disse um dos comentários parece que os empresários brasileiros só vão parar de reclamar dos direitos dos outros quando voltarem a ter escravos.

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  5. Porque não ‘figurou’ na pesquisa as férias de 3 meses dos nossos nada iguais Magistrados?

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  6. Cesar8002UTB, mas isso eles já tem…

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  7. Carlos Leite

    Essas comparações são INFAMES. Quanto ao salário, teria que se levar em conta todos os encargos e salário anual, considerando o salário (mensal) + 1/12 (13o salario) + o que é acrescido de previdencia (20%) + 8% de FGTS + 1/3 de férias + 40% de multa sobre FGTS + 1 salario cada 2 anos + os beneficios de vale transporte e alimentação + horas extras (mais caras) + horas de domingos e feriados + horas noturnas + etc etc. Depois de tudo então se chegar ao valor real do salário.

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  8. Ex-microempresário

    Bernardo e César, eu não posso e nem quero ter escravos. Mas posso chegar, como cheguei, à conclusão de que não vale a pena sofrer como um doido para deixar tudo nas mãos do governo. Fui empresário vinte anos, sem férias, sem décimo-terceiro, sem FGTS, sem justiça do trabalho para me garantir uns trocados. Como vocês podem adivinhar pelo meu nick acima, desisti. O terreno onde estava minha empresa virou um condomínio, e os quase trinta funcionários (quase escravos, segundo vocês), estão livres de mim: receberam seus direitos e tchau. Sei que muitos outros empresários estão pensando em fazer o que eu fiz. Vocês podem continuar reclamando mais “direitos”. Só não sei para quem.

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  9. Denis dos Santos Silva

    imagina no judiciário e no legislativo!!!

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