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Brasil investirá R$ 1,7 trilhão em máquinas até 2014

Estudo do BNDES aponta que, apesar de o valor ser baixo se comparado aos de outros países, a quantia deve trazer grande resultado para a economia

Numa comparação internacional a partir de dados do Banco Mundial de 2005, a taxa de investimento brasileira, de 16,3% do PIB, figurava em último lugar entre outros 20 países

Os investimentos da indústria e da infraestrutura no Brasil devem consumir 1,76 trilhão de reais em máquinas e equipamentos nos próximos quatro anos. É o que mostra um estudo da área de pesquisa econômica do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que será publicado nos próximos dias. A cifra representa 56,2% do total de investimentos projetados pelo banco para o período entre 2011 e 2014, de 3,34 trilhões de reais.

No trabalho, os economistas do BNDES Fernando Puga e Gilberto Borça Júnior demonstram que, apesar de ser uma das menores do mundo, a taxa de investimento no Brasil produz um efeito maior e mais rápido no crescimento. Ao contrário da maioria dos países, a maior parte das inversões no Brasil dá-se em bens de capital (máquinas e equipamentos), e não em construção civil – uma característica que, para o BNDES, está se aprofundando.

Eles chegaram a essa conclusão ao investigar a composição da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no país, que é historicamente baixa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e considerada o principal obstáculo a um crescimento mais robusto da economia sem pressões inflacionárias. Numa comparação internacional a partir de dados do Banco Mundial de 2005, a taxa de investimento brasileira, de 16,3% do PIB, figurava em último lugar entre outros vinte países. A China já liderava, com robustos 41,5% do PIB; seguida por nações como Espanha (29,4%), Índia (28,5%) e Japão (23,1%).

No entanto, analisando apenas o componente relativo a máquinas e equipamentos, o Brasil alcançava 7,9% do PIB, superando países como Reino Unido (5,8%), Espanha (7,2%), França (5,8%), Estados Unidos(5,8%) e até a média mundial (7,6%). O país. porém, ainda perdia nesse quesito para países asiáticos, como China (11,5%), Índia (13,1%) e Coreia do Sul (9,1%).

Para os economistas, isso mostra que não há uma defasagem muito grande entre o padrão de investimento na produção e modernização das empresas brasileiras e o das de outros países. “A taxa de investimento agregada do Brasil está na lanterna e isso dá uma percepção de que o nosso parque industrial estaria muito defasado, obsoleto por causa do baixo investimento. No entanto, quando olhamos apenas para máquinas e equipamentos, estamos investindo até acima da média mundial”, diz Puga.

(com Agência Estado)