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Bradesco cria banco com plataforma 100% digital

Next oferece descontos para os clientes em serviços como iFood e auxilia no orçamento mensal

O Bradesco lançou nesta segunda-feira o Next, banco com plataforma 100% digital. Os consumidores podem fazer o download do aplicativo por meio da App Store ou Google Play – a abertura da conta também será realizada por meio do aplicativo, sem necessidade de ir até a agência ou assinar documentos.

O Next também incentivará o cliente a definir metas financeiras que pretende cumprir, como a aquisição de um determinado bem. O acompanhamento desses objetivos se dará por meio de uma ferramenta que fará a gestão automática dos gastos do usuário.

Apesar de ser um banco, o Next tentará se inserir na vida do cliente em outros momentos – assim, espera se tornar essencial ao cliente. A oferta de descontos é focada no público mais jovem, com parcerias já firmadas com Uber, iFood e Cinemark. Para ter acesso às vantagens, o usuário terá de acessar essas plataformas pelo Next.

Os Clientes Next podem usar o cartão de crédito e débito nas máquinas de autoatendimento Bradesco, rede Banco24Horas e estabelecimentos comerciais.

Next

O projeto é o mais recente movimento do banco em um cenário agitado para o setor, marcado pela chegada de várias fintechs – startups da área financeira – e pela expansão das corretoras independentes, culminando na aquisição de 49,9% da XP pelo Itaú, em um negócio de 5,7 bilhões de reais, no mês passado.

Em seu projeto, o Bradesco tentou garantir que a cultura do Next não fosse “contaminada” pelos vícios de um grande banco, ao criar uma estrutura independente para o novo negócio. O vice-presidente executivo da instituição, Maurício Minas, diz que os 100 funcionários do Next – que funciona num andar de um dos edifícios da sede do Bradesco – têm um perfil diferente do geralmente encontrado em instituições financeiras.

A instituição não revela o quanto investiu no Next, o Estadão apurou que foram cerca de 120 milhões de reais. O vice-presidente da instituição lembra, porém, que o projeto foi viabilizado graças a investimentos feitos no Bradesco, entre eles um aporte de 1 bilhão de dólares no setor de tecnologia.

Desafios

O diretor de inovação da Accenture, Guilherme Horn, afirmou que foi acertada a decisão do Bradesco de criar uma estrutura independente para tocar o projeto Next – desta forma, evitou-se a criação de uma “filial” da instituição.

Ao se apresentar como um banco completo, no entanto, o Next concorrerá tanto com serviços financeiros especializados – como corretoras e fintechs – quanto com líderes de mercado, incluindo o próprio Bradesco. “O Next cria um produto novo que pode canibalizar o Bradesco. E é assim que deve ser: se toda a empresa tiver medo de fazer isso, a inovação não vai acontecer nunca”, diz Pedro Waengertner, presidente da aceleradora de startups Ace.

É no dia a dia da operação, no entanto, que o Next poderá ganhar ou perder o jogo. Uma fonte do setor financeiro, que pediu anonimato, afirma que estabelecer a relação próxima que startups como o NuBank têm com os consumidores é difícil.

Na opinião de Waengertner, resta saber se a execução do dia a dia do Next vai refletir, no fim das contas, o estilo matricial dos grandes bancos ou o pensamento “fora da caixa” típico das startups de sucesso.

(Com Estadão Conteúdo)