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Bovespa fecha quarta sessão consecutiva em queda

Por Cláudia Violante, Silvana Rocha e Márcio Rodrigues

São Paulo – A Bovespa terminou mais uma sessão em baixa, a quarta seguida e que a fez perder, enfim, o patamar de 56 mil pontos. Situou-se no menor nível desde 21 de outubro passado, acompanhando o mau humor que insiste em não se dissipar no mercado externo. O Ibovespa terminou a sessão em queda de 0,72%, aos 55.878,44 pontos. Em quatro dias de baixa, perdeu 4,58%. Na mínima, registrou 55.609 pontos (-1,20%) e, na máxima, os 56.570 pontos (+0,51%). No mês, acumula perda de 4,22% e, no ano, de 19,37%. O giro financeiro totalizou R$ 5,568 bilhões. Os dados são preliminares.

A Bolsa doméstica subiu na abertura, amparada pelo fato de as três principais agências de classificação de risco terem descartado, por ora, uma redução do rating soberano norte-americano baseada no fracasso do Comitê Bipartidário do Congresso em chegar a um acordo sobre corte do déficit do país em dez anos. Mas a revisão do PIB dos EUA pior do que a projeções (2% ante leitura anterior de 2,5% e previsão de 2,3%) jogou as bolsas para baixo, num movimento depois agravado pelos yields mais altos pagos pela Espanha em leilão de títulos.

À tarde, no entanto, a Bovespa flertou com o sinal positivo novamente, após a notícia de que o FMI aprovou linhas de crédito que podem ajudar os países endividados da zona do euro e também de que o BCE estuda a possibilidade de emprestar dinheiro para o FMI justamente para que ele financie pacotes de resgate.

A recuperação foi frágil e logo os índices voltaram novamente para o vermelho. A ata da última reunião do Fomc não deu motivos para sustentar os ganhos, já que, na visão de vários membros do Fed, embora o risco de os EUA entrarem em recessão no curto prazo tenha diminuído, o crescimento da economia do país corre um risco significativo de ficar abaixo das estimativas do banco central.

Às 18h18, o Dow Jones recuava 0,54%, o S&P tinha baixa de 0,49% e o Nasdaq registrava desvalorização de 0,15%.

Aqui, Petrobras ON ficou estável e a PN caiu 0,55%. Vale ON terminou em baixa de 0,89% e a PNA, de 0,66%. Os metais fecharam majoritariamente em alta, e, na Nymex, o contrato do petróleo para janeiro subiu 1,12%, a US$ 98,01 o barril.

CÂMBIO – A insegurança dos agentes financeiros com os Estados Unidos e a Europa manteve os mercados sem direção única nesta terça-feira. Após reproduzir aqui a volatilidade do segmento externo de moedas, o dólar à vista fechou estável, mas ainda acima de R$ 1,80 pelo segundo dia consecutivo. Com um volume de negócios um pouco maior em meio ao fluxo cambial positivo, o dólar no balcão terminou cotado a R$ 1,806 (estável), após acumular alta de 3,56% nas cinco sessões anteriores. Na BM&F, o dólar à vista terminou com perda de 0,16%, a R$ 1,8030. No mercado de derivativos, às 16h33, o dólar dezembro de 2011 tinha leve baixa de 0,11%, para R$ 1,8120, com um volume financeiro de US$ 20,295 bilhões ou 35% maior que o anterior.

JUROS – O comportamento atípico do mercado de juros futuros teve prosseguimento nesta terça-feira, quando o cenário externo voltou a piorar, mas as taxas tiveram acúmulo de prêmios. Uma das explicações encontradas por operadores para esse movimento é a possível saída de estrangeiros do mercado local, justamente devido à aversão ao risco e às quedas dos ativos no exterior. ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (63.275 contratos) estava em 10,975%, de 10,98% na véspera. O DI janeiro de 2013, com giro de 153.650 contratos, indicava 10,01%, de 9,98% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (99.565 contratos) avançava para a máxima de 10,29%, ante 10,22%. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (18.790 contratos) marcava máxima de 10,87%, de 10,82% ontem, e o DI janeiro de 2021 subia a 10,94%, de 10,90% no ajuste.