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Bolsas em todo mundo estão em alta após acordo nos EUA

Com fim do 'abismo fiscal', Bovespa abre pregão em alta de mais de 2% e, na seqüência, acelera para 3%. Europa e EUA também registram índices no azul

O mercado financeiro celebra nesta quarta-feira o acordo entre a Casa Branca e o Congresso americano que pôs fim ao chamado abismo fiscal nos Estados Unidos. A Bolsa de Valores de São Paulo abriu o primeiro pregão do ano em alta de quase 2%. Às 12h45, o Ibovespa – principal índice da bolsa brasileira – já marcava aceleração para 3,08%, aos 62 826 pontos.

Na madrugada desta quarta-feira (noite de terça no horário local), a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o projeto legislativo enviado pelo Senado que afasta os efeitos do chamado abismo fiscal, que poderia levar a principal economia do mundo à recessão. Mas o pacote aprovado deixa importantes questões em aberto e abre brecha para um novo embate entre o presidente americano Barack Obama e o Legislativo já em fevereiro. No mês que vem, os EUA devem alcançar mais uma vez seu limite de endividamento, o que exigirá novas negociações para determinar o futuro dos gastos governamentais.

No acordo aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos, os americanos que ganham mais de 400 000 dólares por ano (ou 450 000 dólares se for um casal) pagarão mais imposto de renda (a taxa subiu de 35% para 39,6%) a partir desta quarta-feira. Além disso, o corte de gastos de programas do governo norte-americano foi postergado por dois meses. Esses cortes equivalem a 1,2 trilhão de dólares em dez anos. Benefícios a desempregados foram mantidos por mais um ano. O acordo não menciona a elevação do teto da dívida pública do país, que chegou ao limite e precisa ser aumentado.

Otimismo – Com a sanção das medidas, que impedem, ao menos temporariamente, a crise fiscal americana, as bolsas de todo mundo abriram com otimismo e sustentam forte elevação. O índice FTSEurofirst 300, que reúne os principais mercados da região, subiu 1,6% na abertura das negociações, empurrado pelos resultados em Londres, Frankfurt e Paris, onde as bolsas saltaram entre 1,7% e 2%. O FTSEurofirst marcava alta de 1,85% por volta de 11h00 e acelerou para 1,92% por volta das 12h45. Nos Estados Unidos, o comportamento era semelhante. Faltando quinze minutos para a uma hora da tarde (horário de Brasília), o Dow Jones subia 1,98%, o Nasdaq tinha alta de 2,70% e o S&P 500 avançava 2,09%. No mesmo horário, o Ibovespa se destacava com um avanço de 3,08%, para 62 826 pontos.

Indefinição – Para o estrategista de mercados globais do Bank of America Merrill Lynch, Ethan Harris, nas próximas semanas muita discussão política ainda vai ocorrer relativa a tópicos do abismo fiscal, principalmente com relação ao corte de gastos. Harris espera que até o final do primeiro trimestre o assunto esteja resolvido. Outro ponto que precisa ser tratado, e que não fez parte do acordo sobre o abismo fiscal, é a elevação do teto da dívida americana, destaca o economista em um relatório a clientes.

Nas notícias corporativas, a Apple começa 2013 no centro das atenções. Uma loja da rede foi assaltada em Paris e circularam notícias de que a empresa está testando no Japão seus primeiros modelos de televisores para colocá-los no mercado no final do ano. Em Wall Street, analistas especulam o que esperar para a Apple neste ano, em meio ao aumento da concorrência no mercado de celulares e tablets. A empresa virou tema de várias matérias na imprensa econômica e de tecnologia nos últimos dias. A avaliação final era de otimismo. Os papeis da companhia registravam valorização de 3,12%.

Dólar – Com o avanço na questão fiscal americana e afastada a ameaça de uma recessão da maior economia do mundo, o mercado de câmbio também reage com otimismo. O dólar balcão abriu em queda de 0,39%, cotado a 2,0370 reais. No exterior, a moeda americana recua em relação ao euro e a moedas de países ligados a commodities. “Vamos ver como as moedas mais afetadas pelas commodities estão. A alta forte deve se refletir com a valorização do real”, avalia um operador. Às 9h39, o dólar para fevereiro era cotado a 2,0480, reais em baixa de 0,49%.

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Ásia – Os primeiros a sentirem o efeito positivo do acordo norte-americano foram os mercados asiáticos, que iniciaram 2013 com fortes ganhos. Várias bolsas da Ásia terminaram a primeira sessão do ano nas máximas dos últimos meses, como Hong Kong e Seul. Na China e no Japão os mercados permaneceram fechados devido a um feriado.

O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, subiu 2,9%, para 23.311,98 pontos, no primeiro fechamento acima do nível de 23.000 pontos desde 2 de junho de 2011. O volume negociado totalizou 82,44 bilhões de dólares de Hong Kong (10,64 bilhões de dólares americanos). Na Coreia do Sul, a Bolsa de Seul terminou em sua máxima em 9 meses, com o índice Kospi avançando 1,71%, para 2.031,10 pontos.

Em Taiwan, a Bolsa de Taipé atingiu a máxima desde 19 de setembro de 2012. O índice Taiwan Weighted subiu 1,04%, para 7.779,22 pontos. As empresas de tecnologia e fabricantes de painéis conduziram a expansão do mercado. O índice PSEi da Bolsa de Manila, nas Filipinas, encerrou a sessão em uma nova máxima recorde ao subir 0,8%, para 5.860,99 pontos.

A Bolsa de Sydney, na Austrália, alcançou a máxima em 19 meses, estimulada pelo acordo para conter o déficit fiscal nos EUA e pelo bom resultado do PMI de manufatura da China – que permaneceu estável em 50,6 em dezembro, indicando expansão da atividade, e sustentou os preços das commodities. O índice S&P/ASX 200 subiu 1,23%, para 4,705.90 pontos.

(com Estadão Conteúdo)