Bolsa de NY fecha em queda com temor sobre dívida

Por Renato Martins

Nova York – O mercado norte-americano de ações fechou em queda, com o índice Dow Jones registrando seu terceiro pregão consecutivo de baixa. A possibilidade de um default da dívida do governo dos EUA e do rebaixamento de seu rating está fazendo crescer o nervosismo dos investidores, que venderam ações e dólar e compraram ativos como ouro e petróleo. Informes de resultados de empresas importantes também foram mal recebidos pelo mercado.

O índice Dow Jones fechou em queda de 91,50 pontos (0,73%), em 12.501,30 pontos. O Nasdaq fechou em baixa de 2,84 Pontos (0,10%), em 2.839,96 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 5,49 pontos (0,41%), em 1.331,94 pontos. O NYSE Composite fechou em queda de 25,90 pontos (0,31%), em 8.331,67 pontos.

“Os traders de curto prazo estão apostando de um lado ou do outro, antes de um anúncio relativo ao teto de endividamento do governo. Quando não se anuncia um acordo, as pessoas retiram suas posições da mesa no fim do dia, Esse ambiente de volumes reduzidos e de volatilidade vai persistir até que tenhamos algum tipo de anúncio”, comentou o trader Ryan Larson, da RBC Global Asset Management.

Para Natalie Trunow, da Calvert Investment Management, “conforme o relógio vai rodando, a probabilidade de um rebaixamento de rating se torna maior. Estamos brincando com fogo”. Comentando os duelos verbais e as propostas e contrapropostas apresentadas pelo presidente Barack Obama e o Partido Republicano sobre o teto da dívida e os déficits federais, o presidente da Addison Capital, Michael Church, observou que “o último musical de Washington é apenas uma distração. Eu não suspeito que exista qualquer chance de um default”.

Entre as componentes do índice Dow Jones, o destaque negativo foi 3M, com queda de 5,41%, em reação ao seu informe de resultados; as da General Electric caíram 2,11% e as da Boeing recuaram 1,61%. Entre as empresas que divulgaram resultados também estavam Netflix (-5,19%), UPS (-3,32%) e Ford (-1,75%).

Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiram, com correspondente baixa nos juros. Participantes do mercado não deixaram de notar a ironia de a dívida dos EUA, no foco das atenções por causa da ameaça de default e de rebaixamento de rating, ainda ser considerada um “refúgio seguro” para o capital.

Para Sean Simko, gerente de carteira da SEI Fixed Income Portfolio Management, os investidores “estão preferindo adotar uma atitude de ‘copo meio cheio’, e não de ‘copo meio vazio'”. “É irônico, e não é o que eu esperava, mas é a realidade. Toda vez que o mercado parece querer romper para baixo os níveis recentes de preço, aparece uma boa demanda”, comentou o estrategista Justin Lederer, da Cantor Fitzgerald.

Leilão

No leilão de US$ 35 bilhões em T-notes de 2 anos realizado no começo da tarde, a taxa máxima ficou em 0,417%, menos do que o governo esperava pagar. A demanda foi considerada decente. “Se o leilão de hoje serve de indicação, a demanda por Treasuries como refúgio seguro está viva e bem”, disse o estrategista Dan Greenhaus, da BTIG.

Alguns analistas observaram que somente uma alta forte dos juros dos Treasuries convenceria os políticos a chegarem a um acordo sobre o teto da dívida. Mas não há consenso sobre o que provocaria um movimento forte de queda dos preços dos Treasuries.

No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,281%, de 4,325%, ontem; o juro das T-notes de 10 anos estava em 2,958%, de 3,002%, ontem; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,399%, de 0,419%, ontem. As informações são da Dow Jones.