BCE surpreende com corte dos juros; vê “recessão leve”

Por Paul Carrel

FRANKFURT (Reuters) – O Banco Central Europeu (BCE) reduziu os juros em 0,25 ponto para 1,25 por cento de forma surpresa nesta quinta-feira. O presidente da instituição, Mario Draghi, disse que a zona do euro pode viver uma “recessão leve” nos últimos meses de 2011.

O italiano já entrou em um redemoinho em sua primeira semana à frente do BCE, com os líderes da zona do euro contemplando um futuro sem a Grécia e a paralisia política ameaçando seu país de origem, a Itália.

Mas ele não se comprometeu a intensificar o programa do banco central de compra de títulos para apoiar países como Itália e Espanha.

“O que estamos observando agora é … crescimento lento em direção a uma recessão leve no final do ano”, disse Draghi em entrevista coletiva.

“A significativa revisão de baixa das previsões e projeções para o crescimento médio do PIB real em 2012 (são) muito prováveis”, acrescentou.

O corte da taxa deu um impulso modesto para os mercados de ações. O FTSEurofirst 300 das principais ações européias subia 1,9 por cento.

A decisão de cortar as taxas veio apesar de a inflação nos 17 países da zona do euro ficar em 3,0 por cento pelo um segundo mês consecutivo em outubro, bem acima da meta do BCE de pouco menos de 2 por cento.

Draghi disse que o BCE espera que a inflação diminua abaixo de 2 por cento no próximo ano.

“Que começo. É óbvio que o BCE pegou o vírus da crise e está tentando tudo que pode para evitar uma recessão plena”, disse o economista da ING Carsten Brzeski.

Os líderes europeus disseram estar preparados para que a Grécia saia da zona do euro, de modo a preservar a moeda caso Atenas não decida rapidamente sobre a implementação de um programa de resgate.

O ultimato da Europa para a Grécia, após a decisão do primeiro-ministro George Papandreou de convocar um referendo sobre o pacote de resgate, aprofundou a crise e aumentou a pressão sobre o BCE, que muitos analistas veem como a única instituição com poder de fogo para trazer a calma.

NENHUMA MUDANÇA EM COMPRA DE BÔNUS

Draghi não deu nenhuma sugestão de que seria acelerado o programa de compra de bônus do BCE, uma ferramenta polêmica que levou à renúncia de dois alemães da instituição, apesar do caos na Grécia.

“Nosso programa tem três características: é temporário, é limitado; e justifica-se em restaurar o funcionamento dos canais de transmissão da política monetária”, disse ele.

Draghi sucedeu Jean-Claude Trichet França como chefe do BCE na terça-feira –dia em que o BCE comprou títulos espanhóis e italianos.