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Ano será marcado por incerteza na economia global, diz Tombini

Segundo o presidente do BC, capacidade dos EUA de liderar a recuperação internacional é limitada pelo dólar forte e pela demanda externa menor que o esperado

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou nesta quinta-feira que o que se vislumbra para este ano é um menor dinamismo da economia global e a manutenção de níveis altos de volatilidade e de incerteza. As declarações foram feitas na reunião do chamado Conselhão, grupo formado por ministros, empresários e membros da sociedade civil.

De acordo com Tombini, o Banco Central do Brasil tem atuado “e continuará atuando” para assegurar a estabilidade e o bom funcionamento do sistema financeiro e dos mercados, incluindo o mercado cambial do Brasil.

Ao mencionar as dificuldades da economia mundial, o presidente do BC disse que esse quadro se insere em um contexto de relativo esgotamento da capacidade das políticas fiscal e monetária de alavancar o crescimento em um ambiente de alterações demográficas e de pressões geopolíticas. Ele ressaltou que o ambiente doméstico tem sido impactado por importantes ajustes nas áreas fiscal, externa e monetária. Na opinião de Tombini, esses ajustes são importantes para a solidez da economia e para o estabelecimento de um ambiente de negócios que fomente o crescimento à frente.

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Numa avaliação de cenário, ele afirmou que o quadro internacional é complexo e menos previsível, citando a desaceleração do crescimento da China, a queda dos preços das commodities. “A desaceleração do crescimento, especialmente em economias emergentes, enfraquece a demanda global, estimula a aversão ao risco e retroalimenta o movimento de redução de crescimento e de aumento da volatilidade, em geral”, afirmou.

Segundo ele, a relativa fraqueza da atividade econômica em economias mais avançadas contribui para o aumento das incertezas globais. Sobre a economia americana, ele avaliou que a previsão de que o crescimento dos Estados Unidos viesse a tracionar a economia global vem sendo questionada pela combinação de dólar forte com as demandas global e doméstica mais fracas do que o esperado, além da queda significativa dos investimentos no setor de petróleo daquele país.

(Com Estadão Conteúdo)