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Amigo de infância de Steve Jobs lembra legado do fundador da Apple

Phoenix (EUA), 30 dez (EFE).- Como um homem que superou muitos problemas, que não teve medo de encarar riscos e seguir seus sonhos; assim Bill Fernández lembra de seu amigo de infância, Steve Jobs, fundador da Apple e cuja morte estremeceu o mundo inteiro em outubro deste ano.

‘Acho que um dos legados principais que Steve nos deixou foi que nos ensinar que é possível fazer produtos bonitos e funcionais. Muitas companhias desenvolvem projetos tecnológicos, mas que têm um design ruim e são difíceis de usar’, disse Fernández em entrevista por telefone à Agência Efe desde Albuquerque, no Novo México.

O amigo do gênio informático frisou que outra de suas heranças é a empresa que construiu e que seguirá com seus ideias e, certamente, seus filhos.

Jobs, de 54 anos, morreu no dia 5 de outubro após uma longa luta contra o câncer de pâncreas. O fundador da Apple revolucionou a indústria com produtos icônicos como o iPod, o iPhone e o iPad.

Fernández e Jobs tornaram-se grandes amigos quando se conheceram na escola em Cupertino, Califórnia. ‘Ambos éramos introvertidos, intelectuais e acho que por isso ficamos amigos’, comentou.

Lembrou que quando jovens eles gostavam de conversar muito e caminhar por longos períodos de tempo falando de filosofia e sobre o significado da vida.

E acrescentou que foi no ensino médio onde ambos começaram a estudar tecnologia, quando passou a trabalhar em projetos com Jobs.

‘Acho que éramos socialmente inaptos, não convivíamos com outras pessoas, por isso éramos solitários, só tínhamos um ao outro’, disse Fernández.

Foi ele quem apresentou Jobs e a Steve Wozniak, já que sabia que ambos compartilhavam o interesse pela tecnologia.

‘Woz vivia perto da minha casa, um dia enquanto lavava seu carro lhe disse: ‘Olha acho que você gostaria conhecer esta pessoa, porque os dois se interessam por tecnologia”, recordou.

Fernández garante que imediatamente surgiu uma ‘energia’ entre ambos, que logo se refletiu em seus projetos.

Jobs abandonou seus estudos universitários em 1976 para fundar a Apple nesse mesmo ano em uma garagem de Mountain View junto com Wozniak. No anos 1980 se viu afastado da mesma devido ao colapso da empresa e a concorrência no ramo dos computadores dominado pelo sistema operacional da Microsoft.

Nesse momento criou a Next Computer, que não se tornou um sucesso comercial, mas que assentou as bases para seu retorno à Apple, onde desde 1997 foi o presidente-executivo, em uma época na qual transformou a empresa em um gigante do setor tecnológico.

Nos últimos seis anos, Fernández, que agora tem sua própria companhia de design em Albuquerque, não viu Jobs, mas garante que manteve em contato com ele. Da mesma forma que o resto do mundo, soube da doença de seu amigo apenas quando foi divulgada pela imprensa.

‘A última vez que o vi foi em 2007, quando estava com seus filhos. Falamos muito sobre o que significa ser pai’, concluiu Fernández, uma das poucas pessoas que assistiu ao casamento de Jobs com Laurene Powell em 1991 no Parque Nacional Yosemite, na Califórnia. EFE