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Apresentação

Laduuuuuuuuuuma!*

*Gooooooooool no idioma zulu

A Copa da África do Sul é a antessala, com semelhanças desconcertantes,
do que o Brasil viverá em 2014

Yasuyoshi Chiba/AFP
Crianças do bairro de Soweto, em Johannesburgo, jogam bola nas cercanias
do estádio Soccer City, local da partida de abertura e da final

O grito estendido na segunda vogal, entoado em coro pelos locutores de rádio e televisão e pelos torcedores – laduma, gol no idioma zulu, majoritário na África do Sul, falado por 24% da população –, será a senha para percebermos que, depois de oitenta anos, a Copa do Mundo finalmente chegou ao continente africano. No estádio Soccer City, em Johannesburgo, encravado no mítico bairro de Soweto, onde Nelson Mandela fez um discurso histórico dois dias após sua libertação, em fevereiro de 1990, África do Sul e México darão a largada, em 11 de junho, sexta-feira, a uma festa de trinta dias.

Não é exagero dizer que o apito do juiz marcará também o início, ainda que prematuro, do Mundial no Brasil, dentro de quatro anos. A África do Sul de agora é o ensaio geral para 2014, tantas são as semelhanças entre os dois países e o modo como organizam o campeonato. Um e outro, no Hemisfério Sul, vivem o inverno no meio do ano, e pela primeira vez desde a Argentina, em 1978, veremos mangas compridas no corpo dos jogadores. As distâncias entre as cidades-sede são grandes, diferentemente do que ocorre na Europa.

Mas pontos de conexão realmente fortes – e preocupantes – estão no açodamento para a finalização dos estádios e na sangria financeira da organização. A estimativa inicial dos sul-africanos era de gastos equivalentes a 650 milhões de reais – chegarão a mais de 8 bilhões. No Brasil, o pacote de candidatura apresentava 714 milhões de reais. Já são previstos 17,5 bilhões.

São dados nocivos, alimento para corrupção e escândalos. Mas, quando a bola Jabulani for chutada pela primeira vez em Johannesburgo, o que saltará aos olhos é outro paralelo,
este mais bonito: o do amor pelo futebol. A população negra da África do Sul adora o esporte de Pelé. Os brancos são mais afeitos ao rúgbi. Mas, como já fez outras vezes, a bola tratará de unir as duas partes, com força equivalente à da extraordinária movimentação que derrubou o muro do apartheid, enterrado histórica e definitivamente com a eleição de Mandela à Presidência, em 1994. Laduuuuuuuuuuma é, a partir de agora, um novo grito contra o preconceito.


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