Sociedade e Cultura
Tensão religiosa: choque
entre cristãos e muçulmanos

Conflitos entre grupos étnicos da
Nigéria ainda matam centenas de pessoas

Desde 1914, a tensão religiosa é forte na Nigéria. Constitucionalmente, o país é um estado laico com liberdade religiosa, mas grupos cristãos alegam que durante quase 40 anos o governo deu tratamento preferencial a muçulmanos. Entre 1982 e 1996, mais de 18 conflitos foram registrados. Nos anos 1990, o grupo radical islâmico Maitazinis ficou conhecido pelos seus ataques violentos a quem se opunha à sua doutrina. Entre 2001 e 2002, mais de 200 pessoas morreram em choques entre cristãos e muçulmanos. Os doze estados de maioria muçulmana do norte decidiram aprofundar suas diferenças em relação aos cristãos do sul, onde fica o poder político e econômico, decretando a supremacia da sharia, o severíssimo código legal islâmico. Isso significa cortar a mão de ladrões e até apedrejar adúlteros.

Entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009, novos combates ocorreram em regiões distintas, causando um total de 404 mortes de ambos os lados. No conflito religioso mais recente, em julho de 2009, o país decretou alerta militar e libertou pelo menos 100 reféns mantidos pelos fanáticos. Cerca de 150 pessoas morreram, vítimas de um grupo radical islâmico que tenta impor à força o mesmo modelo de governo fundamentalista que os talibãs levaram ao Afeganistão. Um ataque dos membros do grupo fundamentalista muçulmano Boko Haram a dois postos policiais na cidade de Maiduguri, capital do estado de Borno, no norte do país, foi o estopim do conflito, que se espalhou para os estados de Kano, Yobe e Katsina. O grupo surgiu em 2004 sob o comando de Mohammed Yusuf e é formado originalmente por estudantes que abandonaram a universidade. Seu quartel general está baseado no vilarejo de Kanamma no estado de Yobe.

Casos particulares – Uma sentença que causou indignação internacional foi a de Amina Lawal, de 30 anos, que teve uma filha fora do casamento. Separada do segundo marido, ela engravidou do namorado, que não queria o bebê. Uma semana depois de a criança nascer, Amina foi presa por adultério e condenada à morte a pedradas, a chamada lapidação. Assim que deixasse de amamentar a pequena Wasila, de 9 meses, seria enterrada até o peito e apedrejada até morrer. A sharia violava a Constituição da Nigéria, mas o presidente não fez nada a princípio para revogar a pena, que só foi anulada em 2003.