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Economia
Corrupção supera grandes potenciais econômicos do país
Produção de petróleo e indústria
cinematográfica são as principais prejudicadas
A Nigéria é o maior produtor de petróleo da África e está entre os dez maiores do mundo. Graças às exportações do “ouro negro”, sua economia cresce por ano a taxas de matar de inveja os países desenvolvidos. Calcula-se que tenha ganho 280 bilhões de dólares nos últimos trinta anos só com a venda do petróleo, que representa mais de 80% das exportações. Porém, sua produção é bastante prejudicada pela instabilidade político-religiosa do país, obstáculo insuperável para a Nigéria se modernizar e atrair investimentos. O país é obrigado a importar a maior parte dos produtos que consome por ter poucas indústrias. A taxa de risco-país, avaliação dos analistas de mercado sobre as contas nigerianas, era de 1.659 pontos em 2002.
Grande parte do crescimento da Nigéria se esvai pelo ralo da corrupção: apenas durante o governo do ditador Sani Abacha, estimados 3,5 bilhões de dólares arrecadados com as exportações de petróleo foram desviados para contas na Suíça. Em 2002, a Nigéria chegou a declarar o calote no pagamento da dívida externa. Anunciou que não teria como pagar os juros de 3,3 bilhões de dólares que venciam naquele ano e deixou explícito que a moratória se estendia ao total da conta, de 28 bilhões de dólares – o equivalente a 90% do PIB nacional. Em 2005, os países credores reunidos no Clube de Paris decidiram anular dois terços da dívida, que já chegava a 30 bilhões. Ela foi finalmente quitada em abril de 2006. No mesmo ano, a China fechou acordo com a Nigéria para explorar quatro campos de petróleo em troca de investimentos de 4 bilhões de dólares em obras de infra-estrutura no país.
Segundo dados de 2002, a renda per capita nigeriana, de cerca de 350 dólares, equivalia a um décimo da brasileira e era 60% menor do que a registrada vinte anos antes. Com uma área equivalente à do estado do estado de Mato Grosso e cerca de 120 milhões de habitantes, 66% da população viviam com menos de 1 dólar por dia – em 1985, só 43% estavam nessa situação. A expectativa de vida era de apenas 55 anos, e o país também tinha um dos mais baixos Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – sendo o 158º entre 177 países.
Nollywood – Nos últimos quinze anos, o país africano desenvolveu uma pujante indústria cinematográfica – a terceira maior do mundo, com um faturamento anual de 200 milhões de dólares, que a deixa atrás apenas de Hollywood, nos Estados Unidos, e de Bollywood, na Índia. Nollywood, como é chamado o conjunto de produtoras nigerianas de cinema, ganha de americanos e indianos em um quesito: a quantidade de filmes. São 1.200 novos títulos por ano, o dobro do que costuma ser produzido nos Estados Unidos. Os diretores de Nollywood gastam entre 20.000 e 100.000 dólares por produção. Nessas condições, a qualidade das locações, do som e do desempenho dos atores fica seriamente prejudicada. Ainda assim, a carreira artística tem se mostrado uma das maneiras mais eficientes para ascender socialmente no país.
Nollywood é o segundo maior empregador do país, com 1 milhão de trabalhadores. Nem o setor de petróleo, responsável por 95% das exportações nacionais, gera tantos empregos. Como faturam pouco com a bilheteria, as produtoras nigerianas tentam obter renda a partir da venda de seus filmes em DVDs: o preço final é de 3 dólares. Os produtores têm técnicas peculiares para incentivar as compras: por exemplo, colocar bilhetes de loteria dentro das embalagens dos DVDs. Mesmo assim, o lucro tem de vir em um mês. Depois disso, as cópias piratas começam a superar as originais. Calcula-se que, se não houvesse pirataria, o faturamento de Nollywood seria duas vezes maior.
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