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Sociedade
e Cultura
Com o fim do Talibã, uma revolução nos costumes
Mulheres voltaram a exibir o rosto
e os homens a raspar a barba.
Cerca de 98% da população do país é
muçulmana. Durante o regime Talibã, instaurado em 1996, os preceitos
da religião foram aplicados da forma mais severa e primitiva possível,
especialmente em relação às mulheres. Apenas as mãos
ficavam à mostra, e unhas pintadas, dependendo do humor da polícia
da moralidade, podiam custar as próprias unhas. Braços ou rosto
à vista em local público autorizavam qualquer cavalheiro a castigá-las
com umas bordoadas. Ao atingir a puberdade, não mais podiam conversar
ou simplesmente permanecer na presença de homem que não fosse
da família. Só saiam à rua com autorização
do marido ou do pai. Foram proibidas de estudar e de exercer qualquer profissão,
exceto as de médica e enfermeira. Os agentes do Ministério para
a Propagação da Virtude e da Prevenção do Vício
estavam atentos ao menor deslize. Uma mulher surpreendida levantando o véu
era açoitada. Em nome de Alá, os talibãs ainda faziam
o que queriam, sem se preocupar com leis, advogados ou juízes. Como toda
diversão estava proibida, o lazer era assistir a execuções
públicas. A pena para quem roubava, ainda que fosse um prato de comida,
era a amputação da mão direita. O reincidente perdia
a perna esquerda. Consumir bebida alcoólica em qualquer quantidade valia
algumas chicotadas. Adultério era punido com a morte por apedrejamento.
Desde 2001, com o fim do regime Talibã, esse inferno chegou ao fim. Os
homens puderam se livrar da barba, a música voltou a ser ouvida em público
e os lojistas voltaram a vender roupas ocidentais, aparelhos eletrônicos
e fotos sensuais de artistas indianas. No estádio que o Talibã
usava para execuções, voltou-se a jogar futebol. As mulheres,
dentro dos limites da decência muçulmana, começaram a exibir
o rosto. |
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