Como se nada tivesse acontecido, diz a letra. O
maior sucesso de Carla Bruni, primeira-dama da França, poderia ter sido o fundo
musical desta segunda-feira em Paris, quando Nicolas Sarkozy, de 54 anos, saiu
caminhando do hospital militar Val-de-Grâce. O presidente francês foi internado
no domingo, 25 de julho, devido a um mal estar sofrido durante corrida a pé de
45 minutos nos arredores da residência La Lanterna, em Versalhes. Ele
permaneceu 21 horas no hospital.
O Palácio do Elysée emitiu uma nota
diagnosticando a causa do internamento presidencial como “lipotimia durante
robusto esforço físico sob forte calor (30º Celsius), sem desmaio, em um
contexto ligado ao acúmulo de ritmo de trabalho importante.” A versão oficial
pretende que houve um ligeiro cansaço. Algo inocente, um reflexo natural que
baixa a pressão arterial e diminui a irrigação sanguínea no cérebro. Situação
que metade das mulheres e um quarto dos homens passam, ao menos, uma vez
durante a suas existências.
Ainda segundo o comunicado oficial, uma bateria
de exames não detectou problema cardiovascular. Nenhum tratamento foi
prescrito, apenas recomendação de repouso. A ministra da Economia, Christine
Lagarde, substituiu o Sarkozy em cerimônia no Palácio do Elysée. A visita do
presidente ao Mont-Saint Michel, prevista para amanhã, foi anulada. Sarkozy
deverá presidir, na quarta-feira, o última reunião ministerial antes das três
semanas de férias em Cap Nègre, na Riviera francesa.
A hiperatividade crônica do presidente francês
sofreu um golpe duro deixando sua imagem arranhada. O episódio poderá diminuir
o ritmo do presidente durante seu mandato. Na semana passada, além de cumprir
sua rotina de trabalho normal, Sarkozy jantou com presidente do Egito, no Cairo,
acompanhou sua mulher em um concerto em Nova York, homenagem a Nelson Mandela, e arrumou tempo e fôlego para assistir a etapa da Volta da França, nos Alpes, que exige maior esforço dos ciclistas.
Durante a campanha presidencial, Sarkozy
prometeu transformar seu médico em vedete pelas sucessivas aparições em que ele comunicaria o estado de saúde do presidente — prática rara na
tradição do executivo francês. Desde então, foi publicado, no dia 3 de julho,
apenas uma nota de um parágrafo dizendo que tudo estava bem com Sarkozy. O
autor do boletim não foi o médico, mas a assessoria de comunicação presidência.
No dia 27 de outubro de 2007, Sarkozy foi operado, secretamente, para retirar
um abscesso da garganta. Revelada a cirurgia, o Palácio do Elysée fez como se
nada tivesse acontecido. A confirmação da intervenção só aconteceu três meses
depois.