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 18 de julho de 2009

DEFESA
A cobra vai fumar


No dia 16 de julho, Veja.com revelou, com exclusividade, que a viagem de 8 parlamentares brasileiros a Paris foi paga pelo setor aeronáutico francês. A Dassault Aviation fabricante do Rafale, um dos litigantes na concorrência para escolher os 36 novos caças da FAB, no valor de 4 bilhões de reais, foi quem mais contribuiu para cobrir as despesa durante a estadia de uma semana inteira dos congressistas.

Notem bem, quem convidou os deputados foi o governo francês através do Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional (IHEDN). Quem pagou a conta foi o setor privado francês, interessado na concorrência. Os jornais brasileiros talvez por estarem acostumados com tantos despautérios de seus políticos e governantes, deram nota de pé de página.

Esta coluna tem por princípio não reproduzir reportagens de outros veículos de imprensa. Mencionamos, indicamos, fazemos referência. Nosso juízo é o seguinte: se o leitor deseja ler um texto de reportagem do O Globo, por exemplo, ele pode acessar site do jornal, comprá-lo na banca ou fazer uma assinatura. Não se trata só respeito ao direito autoral, mas ao investimento que revistas, jornais, TVs fazem em jornalismo, prática capital para a boa informação e funcionamento da democracia.

Desta vez, no entanto, dadas as circunstâncias, vamos abrir uma exceção. O blog DE PARIS reproduz abaixo um texto muito pertinente do jornalista da Folha de São Paulo, Igor Gielow. Ele aborda a questão da concorrência para compra dos caças e do lobby francês.

FOLHA DE SÃO PAULO, 18 de julho de 2009

O nó dos caças

Por Igor Gielow

BRASÍLIA - Enquanto Nelson Jobim curte suas férias na Europa, no Ministério da Defesa há uma caveira de burro monumental enterrada à sua espera. Trata-se da decisão sobre a compra dos novos caças para a Força Aérea Brasileira.

Na hipótese de a FAB selecionar o preferido de Jobim, o francês Dassault Rafale, o ministro passará um bom tempo explicando os motivos da escolha. Ele terá argumentos, mas o questionamento é certo. Se os militares forem de Gripen (Saab sueca) ou Super Hornet (Boeing americana), o abacaxi será mais espinhoso. Jobim terá de acatar algo contra o que trabalhou até aqui, que é uma parceria em todas as áreas com a França, ou então irá bater de frente com os brigadeiros e forçar a escolha pelo Rafale.

Seja qual for o cenário, é saudável a visibilidade sobre uma disputa de no mínimo uns R$ 4 bilhões — provavelmente muito mais. Em qualquer lugar do mundo, compra militar é coberta por um véu de segredo. Natural: é a segurança do país em jogo. Mas mesmo isso precisa de escrutínio público, e até aqui a FAB fez um trabalho transparente nas etapas de sua seleção. Só que agora é a hora da política, e dos pequenos ou grandes detalhes da negociação.

A revelação (adendo do blog DE PARIS: faltou a menção,"da Veja.com") de que a Dassault pagou para uma comitiva de deputados passear em Paris e ouvir sobre as virtudes do Rafale é desses detalhes. Num país sério, seria um dos grandes, e os deputados teriam de se explicar. Eles não decidem nada agora, mas será o Congresso que terá de aprovar o orçamento da FAB e os prováveis créditos extraordinários para pagar a fatura a seguir. Mas aqui é o Brasil, "pas sérieux", como não teria dito De Gaulle. Temos de ouvir o presidente da Câmara falar em "lobby elegante e saudável". Cabe perguntar o grau de refinamento dos próximos detalhes que podem emergir. E como os afetados irão reagir. 



Por Antonio Ribeiro - 06:05 | Enviar Comentário | Ler Comentários



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Comentários

Paulo - É...taí. Talvez com estes caças a FAB possa interceptar e fazer pousar os "tankers" que estão apergindo particulasna atmosfera de nossas cidades, e ver o que é que estão jogando lá de cima. Seria mesmo bário e aluminio? Geoengenharia e controle climatico global é um negócio trilionario. Na india, um aviao destes se identificou como civil e depois, como militar. Eles o fizeram descer e foram ver o que tinha nos tanques. Resultado: só porcaria.

LIMA - PARA MIM E PARA MILHARES DE BRASILEIROS, ONDE TIVER POLITICO EXISTE SAFADEZA E CORRUPÇÃO. VAMOS ESPERAR PARA VER QUANDO ESSA MUTRETA VAI ESTOURAR.

KERWSON - OS MILITARES PASSAM A VIDA A ESTUDAR E SE APRIMORAM PARA PODER APONTAR QUAL O MELHOR EQUIPAMENTO AERONAUTICO A SER COMPRADO O QUE É QUE TEM JOBIM QUE ESTÁ TRAVESTIDO DE MINISTRO DA DEFESA A INTERFERIR, E SE ASSIM FIZER, IMPUTA DUVIDAS. DEVE MESMO É ACATAR O QUE OS MILITARES DECIDIREM PORQUE NEM EM JURISPRUDENCIA ELE ENTENDE , VISTO QUE, ACEITOU QUE O LULA NADA SABIA DO MENSALÃO. ESSA DE COMER E VIAJAR AS CUSTAS DE QUEM QUER VENDER QUALQUER COISA É VERGONHA PARA ELES E PARA NÓS BRASILEIROS. ESSA TURMA QUE ESTÁ PT OU QUE É DO PT TEM JEITO NÃO.

pedro lara - Independente de quem venha a ganhar a concorrência do FX-2 (Rafale, F-18 Super Hornet ou Gripen NG) é fato que a FAB precisa urgentemente destes novos caças. Não é possível que um país do porte do Brasil ainda dependa dos velhos caças anos 1970 (F-5) para defender a sua soberania.

itamuri - O caça Rafale realmente deve ser ótimo. Ninguém se interessa por ele, exceto Jobim, um especialista no assunto. Mas não está sozinho, a comissão pela intermeadição será dividida com o grupo do Planalto. Alguém duvida?

Sergio Cardoso - PS: Belíssima foto!

Sergio Cardoso - Muito correto de sua parte, Antonio, colocar os pingos nos iis. Aqui no Brasil vai se falando qualquer coisa, sem o menor compromisso com as fontes, e é isso mesmo: as notícias reveladoras de que algo está errado, saem escondidinhas no pé da página. Nos destaques: só o que o povão anestesiado quer ouvir. Uma pena! Que sorte termos o espaço de seu blog, sempre preciso e sem rodeios, vai direto ao assunto.

 
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