O navio Ville de Bordeaux aportou ontem a
Pauilliac, no estuário do rio Gironde, sul da França. Desta vez, transportando
não sua carga habitual, as peças do Airbus A380, o maior avião do mundo, vinda de 16 pontos diferentes da Europa. O navio chegou do Recife com os 640 destroços
do Airbus 330-200 do voo AF 447 cujo acidente matou 228 pessoas.
Os destroços serão levados em seguida por caminhões para o Centro de Testes Aeronáuticos, CEAT na sigla em francês, em
Balma, subúrbio de Toulouse. A chegada do comboio está prevista para o dia 18
de julho. Os destroços serão examinados por peritos do Escritório de
Investigações e Análises da Avião Civil francesa (BEA) e pela policia judiciária.
De passagem por Paris, o ministro da Defesa,
Nelson Jobim, disse a Veja.com, que o resultados das autópsias dos corpos das
vítimas, reclamado pelo BEA, não foram enviadas porque ainda não foram
concluídas. “Quando os legistas terminarem seu trabalho, ele será enviado sem
problemas.”
A revista L’Express, o mais importante
semanário de informação geral da França, fez uma reportagem com o título:
“Especialistas questionam a independência do BEA.” A matéria jornalística
menciona o BLOG DE PARIS:
“Durante a terceira entrevista coletiva à imprensa do BEA, o tom subiu entre seu presidente e o jornalista brasileiro
Antonio Ribeiro, correspondente da revista VEJA, que conta com 900.000
assinantes.
O jornalista fez notar a Paul Arslanian que ele
estava esquivando-se das questões e o apelidou de “caixa-preta do BEA” no seu
blog. A razão do silêncio de Arslanian? Interesses coorporativos, segundo
Antonio Ribeiro.
‘Está em jogo a sobrevivência da Air France
depois do maior acidente da sua história. O sucesso da Airbus depende em muito
dos resultados das investigações do BEA, inteiramente financiada pelo
contribuinte francês’, escreveu o jornalista brasileiro em seu blog.”
A reportagem cita também o deputado socialista
francês Odile Sauges, que presidiu uma missão parlamentar de segurança aérea. O
parlamentar lembra que o BEA não tem a independência desejada se comparado com
seus equivalentes fora da França, sobretudo, com o NTBS americano.
Sauges afirma: “Há momentos onde eles [os
peritos do BEA] não podem dizer tudo, por razões de ordem diplomática, como no
caso do acidente em Charm El-Cheik e há outros momentos onde, nós
compreendemos, não se diz tudo porque há fortes prioridades industriais.”
A reportagem lembra que no acidente de Mont
Saint-Odile (1992), contrário à policia judiciária, o BEA não responsabilizou o
fabricante do avião nem a companhia aérea.
Debaixo do sub-título “Consanguinidade”, a
reportagem do L’Express informa que Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, e
Pierre-Henry Gourgeon, presidente da Air France, se conhecem de longa data.
Eles foram colegas na escola Politécnica, formaram-se juntos na turma de 1965,
assim como Noel Forgeard, antigo diretor da Airbus.
Gourgeon pelo envolvimento no acidente de
Mont-Odile e Forgeard por utilizar informações privilegiadas no mercado
financeiro foram investigados pela Justiça francesa.
Nilo - Parabéns Antonio, seu blog extrapolou ao defender o direito de informar o leitor.
magda - parabéns pelo reconhecimento na imprensa francesa! é muito importante manter esse tema aberto, em discussão, mostrando que perguntas não foram respondidas, ou que órgãos como o BEA estão se esquivando. nos jornais brasileiros, parece que já caiu no esquecimento. infelizmente muitas vidas se perderam nesse acidente, que não poderia ter ocorrido, mas o trabalho do blog e de quem questiona evitará novos acidentes irresponsáveis, e ajudará a salvar outras vidas. os usuários de aeronaves só tem a agradecer pela atenção e o relato da verdade. sem esquecer, é claro, os familiares das vítimas, interessados em saber a verdade, que não lhes pode ser escondida.
Maria Luiza - Caro Antonio, parabéns pela determinação em perseguir a verdade, apesar da resistência dos entrevistados. Poucos profissionais como você, hoje em dia, tem a coragem de ir buscá-la. Doa a quem doer. Os passageiros agradecem.