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 15 de julho de 2009

VOO 447 DA AIR FRANCE (RIO-PARIS)
Destroços do Airbus 330-200 chegam a França


O navio Ville de Bordeaux aportou ontem a Pauilliac, no estuário do rio Gironde, sul da França. Desta vez, transportando não sua carga habitual, as peças do Airbus A380, o maior avião do mundo, vinda de 16 pontos diferentes da Europa. O navio chegou do Recife com os 640 destroços do Airbus 330-200 do voo AF 447 cujo acidente matou 228 pessoas.

Os destroços serão levados em seguida por caminhões para o Centro de Testes Aeronáuticos, CEAT na sigla em francês, em Balma, subúrbio de Toulouse. A chegada do comboio está prevista para o dia 18 de julho. Os destroços serão examinados por peritos do Escritório de Investigações e Análises da Avião Civil francesa (BEA) e pela policia judiciária.

De passagem por Paris, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse a Veja.com, que o resultados das autópsias dos corpos das vítimas, reclamado pelo BEA, não foram enviadas porque ainda não foram concluídas. “Quando os legistas terminarem seu trabalho, ele será enviado sem problemas.”

A revista L’Express, o mais importante semanário de informação geral da França, fez uma reportagem com o título: “Especialistas questionam a independência do BEA.” A matéria jornalística menciona o BLOG DE PARIS:

“Durante a terceira entrevista coletiva à imprensa do BEA, o tom subiu entre seu presidente e o jornalista brasileiro Antonio Ribeiro, correspondente da revista VEJA, que conta com 900.000 assinantes.

O jornalista fez notar a Paul Arslanian que ele estava esquivando-se das questões e o apelidou de “caixa-preta do BEA” no seu blog. A razão do silêncio de Arslanian? Interesses coorporativos, segundo Antonio Ribeiro.

‘Está em jogo a sobrevivência da Air France depois do maior acidente da sua história. O sucesso da Airbus depende em muito dos resultados das investigações do BEA, inteiramente financiada pelo contribuinte francês’, escreveu o jornalista brasileiro em seu blog.”

A reportagem cita também o deputado socialista francês Odile Sauges, que presidiu uma missão parlamentar de segurança aérea. O parlamentar lembra que o BEA não tem a independência desejada se comparado com seus equivalentes fora da França, sobretudo, com o NTBS americano.

Sauges afirma: “Há momentos onde eles [os peritos do BEA] não podem dizer tudo, por razões de ordem diplomática, como no caso do acidente em Charm El-Cheik e há outros momentos onde, nós compreendemos, não se diz tudo porque há fortes prioridades industriais.”

A reportagem lembra que no acidente de Mont Saint-Odile (1992), contrário à policia judiciária, o BEA não responsabilizou o fabricante do avião nem a companhia aérea.

Debaixo do sub-título “Consanguinidade”, a reportagem do L’Express informa que Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, e Pierre-Henry Gourgeon, presidente da Air France, se conhecem de longa data. Eles foram colegas na escola Politécnica, formaram-se juntos na turma de 1965, assim como Noel Forgeard, antigo diretor da Airbus.

Gourgeon pelo envolvimento no acidente de Mont-Odile e Forgeard por utilizar informações privilegiadas no mercado financeiro foram investigados pela Justiça francesa. 



Por Antonio Ribeiro - 10:32 | Enviar Comentário | Ler Comentários



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Comentários

Nilo - Parabéns Antonio, seu blog extrapolou ao defender o direito de informar o leitor.

magda - parabéns pelo reconhecimento na imprensa francesa! é muito importante manter esse tema aberto, em discussão, mostrando que perguntas não foram respondidas, ou que órgãos como o BEA estão se esquivando. nos jornais brasileiros, parece que já caiu no esquecimento. infelizmente muitas vidas se perderam nesse acidente, que não poderia ter ocorrido, mas o trabalho do blog e de quem questiona evitará novos acidentes irresponsáveis, e ajudará a salvar outras vidas. os usuários de aeronaves só tem a agradecer pela atenção e o relato da verdade. sem esquecer, é claro, os familiares das vítimas, interessados em saber a verdade, que não lhes pode ser escondida.

Maria Luiza - Caro Antonio, parabéns pela determinação em perseguir a verdade, apesar da resistência dos entrevistados. Poucos profissionais como você, hoje em dia, tem a coragem de ir buscá-la. Doa a quem doer. Os passageiros agradecem.

 
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