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Telescópio faz imagem inédita de nascimento de planeta

Foto mais nítida já feita do fenômeno dá pistas de como a Terra se formou e de como deve ter sido o sistema solar há 4 bilhões de anos, quando surgiu

A rede de telescópios Alma (Atacama Large Milimneter Array) revelou aos astrônomos a imagem mais nítida até hoje da formação de planetas no universo. A foto, divulgada na quinta-feira, mostra de maneira sem precedentes o disco de formação de planetas que rodeia a estrela anã HL Tauri, localizada a 450 anos-luz da Terra (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros). A imagem foi recebida com entusiasmo pela comunidade científica, pois dá as pistas mais claras de como a Terra se formou. Ao observar esses primeiros estágios da formação de planetas, os cientistas podem ter uma ideia de como o nosso sistema solar deve ter sido há 4 bilhões de anos, quando surgiu.

“A maior parte do que sabemos hoje sobre a formação planetária é baseado em teorias. Só havíamos visto imagens com esse nível de detalhes em simulações de computador ou criações artísticas. Essa foto em alta-resolução de HL Tauri demonstra do que o Alma é capaz e inicia uma nova era em nossa exploração da formação de estrelas e planetas”, afirma Tim de Zeeuw, diretor do Observatório Europeu do Sul (ESO), o braço europeu do Alma.

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A HL Tauri é uma estrela similar ao Sol e extremamente jovem da constelação Touro, em cujo sistema o Alma identificou múltiplos anéis concêntricos separados por espaços claramente definidos, o que sugere que a formação planetária está bem desenvolvida em torno dela.

“Estas características são quase com certeza o resultado da formação de corpos similares a planetas no disco. Isto é surpreendente porque a HL Tauri não tem mais de 1 milhão de anos e, de estrelas tão jovens, não esperávamos corpos planetários tão grandes para produzir estruturas como as que vemos na imagem”, disse o subdiretor do Alma, Stuartt Corder, em um comunicado.

Ou seja, a nova imagem indica que o processo de formação planetária deve ser muito mais rápido do que supunham os cientistas.

Berçário de planetas – Acredita-se que todas as estrelas se formam em nuvens de gás e poeira que colapsam sob a gravidade e, em torno delas, com o tempo, as partículas de poeira vão se aderindo entre si e gerando areia, pedras e rochas que, eventualmente, se assentam em um disco, formando anéis. Quando os corpos planetários desse disco adquirem massa suficiente, formam os asteroides, os cometas, os planetas e, aos poucos, vão limpando suas órbitas de poeira e gás.

“Na primeira vez em que vi estas imagens achei que se tratava de uma simulação”, disse Tony Beasley, diretor do National Radio Astronomy Observatory (NRAO), braço americano do Alma. De acordo com o cientista, no futuro, a rede de telescópios vai mostrar discos mais complexos e, provavelmente, os planetas cruzando os espaços vazios entre os discos.

Alma – Esta é a primeira vez que o Alma usa sua configuração final para obter imagens mais nítidas. A rede de telescópios é uma instalação astronômica internacional na qual cooperam países da Europa, América do Norte, do Leste da Ásia e o Chile.

O projeto que custou 1 bilhão de dólares tem 66 antenas com pratos entre sete e 12 metros de diâmetro separadas por distâncias que variam entre 150 metros e 16 quilômetros. Ele é o mais poderoso radiotelescópio submilimétrico. O Alma está em atividade desde setembro de 2011 e é procurado por astrônomos do mundo inteiro, inclusive brasileiros.

(Com agência EFE)