Saiba o que o novo concurso para nomear novos planetas diz sobre a história da Terra

Em votação da União Astronômica Internacional, qualquer um pode selecionar nomes para 32 corpos celestes. A transição de nomes como Mercúrio e Netuno para Kepler-425b ou, talvez, Ninja, revelam a história da Terra e a evolução de nosso olhar para o Universo

Marte, Saturno, Kepler-425b ou 51 Eridani b são nomes de planetas, mas revelam muito sobre a história da Terra e o olhar humano para o Universo. Os planetas do Sistema Solar, com nomes de deuses latinos, foram seguidos por siglas e, agora, uma votação online aberta pela União Astronômica Internacional na última terça-feira (11), vai dar a 32 planetas recém-descobertos nomenclaturas que serão escolhidas por qualquer habitante da Terra. A mudança está prestes a gravar no Universo o poder da moderna colaboração de diferentes pessoas ao redor do mundo, por meio da internet.

Leia também:

Astrônomos descobrem ‘jovem Júpiter’

O Universo está morrendo mais rápido do que o esperado, diz estudo

História ocidental – Os cinco primeiros planetas do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), conhecidos desde a Antiguidade, ganharam nomes de deuses na versão latina de Roma, a mais influente nação do mundo ocidental. Os outros três, Urano, Netuno e Plutão, foram descobertos a partir do século XVIII por cientistas europeus que se consideravam herdeiros do império romano e seguiram a tradição.

Contudo, em 1992, o primeiro planeta fora do Sistema Solar foi descoberto. Orbitando um pulsar, espécie de resquício estelar que sobreviveu à explosão de uma supernova, a 1 000 anos-luz (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros), seu nome é uma sigla (vinda dao pulsar, chamado PSR 1257+12), assim como os outros 1 030 exoplanetas descobertos pela missão Kepler, lançada há seis anos.

Há quase 5 000 candidatos a planetas com a existência ainda não confirmada. Seus nomes, de acordo com as regras da União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês), seguem a estrela que orbitam, seguidos pelas letras do alfabeto. O “a” designa a estrela em si e os títulos e números remetem aos telescópios que visualizaram a estrela ou a cálculos como a distância dos sistemas estelares.

Apesar de deixarem explícita a força da ciência e da tecnologia contemporâneas, essas novas nomenclaturas têm pouco apelo junto ao público – além de serem praticamente impossíveis de memorizar. Por isso, em 2014, a IAU resolveu utilizar a internet para decidir quais seriam os novos “apelidos oficiais” dos planetas. Pediu ideias aos clubes e organizações astronômicas de 45 países e elaborou uma lista que, desde a última terça-feira está aberta à votação. Em inglês, o NameExoWorlds tem exoplanetas em 20 sistemas estelares. Há nomes tirados da ficção científica (como Azimov, em homenagem ao escritor americano Isaac Asimov, ou Clarke, do autor britânico Arthur C. Clarke), da tradição árabe (como Foros ou Kharoof, pois várias estrelas foram catalogadas por astrônomos árabes) e da cultura brasileira (como Pororoca, a contribuição da astronomia nacional).

A votação está aberta até 31 de outubro. Ao fim, a seleção com os nomes dirá como a cooperação entre aficionados por astronomia de todo o mundo pretende nomear os corpos celestes do Universo.

Veja uma seleção com os dez mais interessantes:

(Da redação)