Roedores dão à luz com ovários impressos em 3D

No futuro, a técnica pode ser usada para restaurar a fertilidade e a produção hormonal em mulheres que passaram por tratamentos de câncer

Depois de extrair os ovários de camundongos fêmeas, implantando em seu lugar uma prótese feita em impressora 3D, um grupo de cientistas conseguiu fazer com que os animais recuperassem a fertilidade e dessem à luz filhotes saudáveis. De acordo com os autores, que publicaram os resultados nesta terça-feira na revista Nature Communications, o objetivo do estudo é desenvolver, no futuro, ovários sintéticos que possam ajudar a restaurar a fertilidade e a produção de hormônios em mulheres que passaram por tratamentos de câncer.

O grupo, liderado por cientistas da Universidade do Noroeste, nos Estados Unidos, produziu os ovários sintéticos montando na impressora 3D, camada após camada, uma estrutura feita de hidrogel. Em geral, esse material é instável demais para construir órgãos em impressoras 3D, mas os cientistas usaram baixas temperaturas para tornar o hidrogel mais firme.

“Nossa esperança é que, um dia, essa bioprótese de ovário seja realmente o ovário do futuro. O objetivo do projeto é que sejamos capazes de restaurar a fertilidade de jovens pacientes com câncer que tenham se tornado inférteis”, disse uma das autoras, Teresa Woodruff.

Depois de construída e implantada na cavidade do ovário extraído, a estrutura impressa foi preenchida com dezenas de folículos – as pequenas bolsas que contêm óvulos imaturos. O tamanho e o formato dos poros formados pela estrutura foram cuidadosamente controlados para que os folículos pudessem aderir a eles.

Além disso, a geometria dos poros do ovário sintético possibilitou sua vascularização: em uma semana, o implante já estava coberto de vasos, recebendo os nutrientes e hormônios necessários para a formação do óvulo. Após o desenvolvimento dos folículos, os óvulos foram naturalmente liberados pelos poros construídos na estrutura de hidrogel, como acontece em uma ovulação natural.

Depois de ovular, sete camundongos com os ovários sintéticos foram então fecundados naturalmente. Três recuperaram a fertilidade e deram à luz filhotes saudáveis. Os camundongos recém-nascidos se alimentaram normalmente com o leite das mães e, depois de amadurecerem, também reproduziram filhotes saudáveis.

Os cientistas alertam, porém, que o método por enquanto ainda só é aplicável a camundongos, já que o folículo humano é bem maior e mais complexo.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. A ciência não tem nada de útil para fazer???

    Curtir

  2. Marcos Ficarelli

    Estou abismado. É o início do “despoderamento”? Enfim, no futuro não precisaremos (nós homens) das mulheres para produzir crianças saudáveis? Hoje, as “empoderadas” acham que: comprando um esperma congelado do Brad Pitt, não precisam mais dos “machistas”.
    O Mundo dá voltas. Espero que algum dia, alguém se lembre do que é uma família.

    Curtir

  3. Marcelo Lisboa

    E interessante perceber como a ciência evolui de formar exponencial ! E lastimavel ,constatar que alguns seres humanos ainda ,possuem uma visão de mundo retrogada e misogina.

    Curtir