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Reino Unido acaba de ligar seu primeiro reator de fusão nuclear

O equipamento, desenvolvido pela Tokamak Energy, faz parte de um projeto cujo objetivo é oferecer energia de fusão nuclear à população até 2030

O primeiro reator de fusão nuclear do Reino Unido foi ativado na última sexta feira, informa a empresa responsável pelo equipamento, a britânica Tokamak Energy. Em seus primeiros dias de atividade, ST40, como foi batizado, já foi capaz de produzir uma bolha de gás, ou plasma, eletricamente carregada dentro de seu núcleo. O objetivo é que, até 2018, o reator consiga aquecer as substâncias a 100 milhões de graus Celsius – sete vezes mais quente do que o centro do Sol. Essa é a temperatura necessária para provocar a fusão controlada (processo no qual os núcleos dos átomos de hidrogênio se unem, transformando-se em hélio e liberando energia).

“Hoje é um dia importante para o desenvolvimento da energia de fusão no Reino Unido e no mundo. Estamos lançando o primeiro dispositivo de fusão controlada de classe mundial que foi projetado, construído e operado por uma empresa privada”, diz em comunicado David Kingham, presidente da Tokamak Energy. “A ST40 é uma máquina que irá mostrar temperaturas de fusão são possíveis em reatores compactos e econômicos. Isso permitirá que o poder de fusão seja alcançado em anos, não em décadas.” O objetivo da companhia é disponibilizar à população do Reino Unido energia gerada pelo ST40 até 2030.

A fusão nuclear é o mesmo processo que abastece o nosso Sol. Se os cientistas conseguissem reproduzi-lo de maneira controlada aqui na Terra, seria possível aproveitar uma fonte ilimitada de energia limpa, produzida quase sem emissões de carbono. O problema é que isso exige uma tecnologia tão avançada que, atualmente, ainda não existe nenhum reator capaz de atingir tal objetivo. Todos os reatores utilizados hoje geram energia a partir do processo contrário à fusão, a fissão nuclear, no qual o núcleo de um átomo se divide, gerando outros dois elementos.

Como dominar a fusão nuclear é uma técnica muito promissora, cientistas e empresas de todas as partes do mundo vêm investindo seu tempo e recursos em pesquisas para alcançar esse objetivo. ST40 é um modelo de reator tokamak (que significa “câmara toroidal magnética”, em russo, e, curiosamente, deu nome à empresa fabricante do reator britânico). Isso significa que, quando estiver totalmente pronto, ele será capaz de utilizar bobinas magnéticas de alta potência para controlar um núcleo de plasma chamuscante em uma forma parecida com a câmara de um pneu.

O próximo passo da companhia é instalar e testar um conjunto completo dessas bobinas magnéticas, permitindo que a ST40 gere plasma a temperaturas de 15 milhões de graus Celsius ainda esse ano. Segundo David Kingham, a empresa está meio caminho andado do objetivo de fornecer energia de fusão nuclear em escala comercial. “Ainda precisamos de investimentos significativos, muitas colaborações acadêmicas e industriais, engenheiros e cientistas dedicados e criativos, e uma excelente cadeia de suprimentos”, diz. “Nossa abordagem continua a ser para superar a jornada em uma série de desafios de engenharia, aumentando o investimento adicional ao alcançar cada novo marco.”