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Quando Bob Dylan virou uma aposta na ciência

Grupo de pesquisadores sueco fez aposta que dura 19 anos: quem conseguir colocar mais citações de Bob Dylan em artigos científicos ganha um almoço

Cinco cientistas suecos, membros do Instituto Karolinska (o mesmo que concede o prêmio Nobel de Medicina), passaram os últimos 19 anos citando Bob Dylan, que ganhou nesta sexta-feira o prêmio Nobel de Literatura, em artigos científicos como Nitric Oxide and Inflammation: The Answer is Blowing in the Wind e Tangled up in blue: molecular cardiology in the postmolecular era.

O motivo é uma aposta: quem conseguir inserir o maior número de citações de Dylan em artigos científicos, antes da aposentadoria, ganha um almoço grátis, em um restaurante local. Em setembro de 2014, eles revelaram o jogo, afirmando que a principal regra é que a citação seja utilizada em artigos como comentários, editoriais e introduções e “esteja ligada ao conteúdo científico, reforce a mensagem e aumente a qualidade do artigo e não o contrário”, afirmou Jonas Frisén, professor do departamento de Biologia Molecular e Celular do Instituto. Se não, os cientistas fãs de Dylan podem ter problemas com as instituições acadêmicas.

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Aposta Bob Dylan

A aposta começou em 1997, logo depois que os cientistas Jon Lundberg e Eddie Weitzberg, professores do departamento de Fiosiologia e Farmacologia, publicaram o artigo da Nature com o título de uma das mais famosas canções de Dylan, Blowing in the Wind. “Nós dois realmente gostamos de Bob Dylan então, quando começamos a escrever um artigo sobre a medição do óxido nítrico tanto na respiração quando no intestino com o propósito de detectar infecções, o título veio e se encaixou perfeitamente”, explicou Weitzberg, no comunicado do Instituto Karolinska.

Em 2003, a dupla de cientistas viu o artigo de dois colegas, Jonas Frisén e Konstantinos Meletis, chamado Blood on the Tracks: A Simple Twist of Fate? que, além do título, incluía no texto outras referências a Dylan. Lundberg e Weitzberg se sentiram desafiados: escreveram um novo artigo, com um título que incluía o nome de outra famosa canção, The times they are a-changing, enviaram um e-mail a Frisén e anunciaram a aposta.

Ao longo dos anos, Keneth Chien, professor do departamento de Biologia Molecular e Celular, também entrou na brincadeira. Desde então, pelo menos outros seis artigos do grupo citam Dylan – mas a disputa continua em aberto.

Na época em que revelou a aposta, Weitzberg afirmou que o trabalho do músico merecia um prêmio Nobel de Literatura, enquanto Chien disse que Dylan seria um Shakespeare moderno, mas na música. Pelo menos no que se refere a previsões, Weitzberg foi o vencedor.

Comentários

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  1. Jorge Luís dos Santos

    Comissão do nobel merece ser demitida pela molecagem que deu certo! A INSTITUIÇÃO FOI DESMORALIZADA, E DYLAN, QUE NÃO É BOBO NEM NADA, SUMIU DA TENTATIVA DE DENEGRI-LO. Dia negro para as instituições que se julgam sérias… OS “DOUTOS” SUECOS VIRARAM MOLEQUES!

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