Proteínas do sistema imunológico podem aumentar potencial de transmissão do HIV pelo sêmen

Estudo mostrou que a concentração elevada da interleucina 7 facilita a transmissão do vírus. Proteína pode se tornar novo alvo para estratégias de prevenção da infecção

Uma pesquisa americana encontrou evidências de que a presença de uma citocina (proteína que faz parte do sistema imunológico), denominada interleucina 7 (IL-7), no sêmen de homens infectados pelo vírus HIV pode aumentar o potencial de transmissão do vírus para uma parceira não infectada. Segundo os autores do trabalho, caso essa hipótese seja confirmada, essa proteína pode se tornar um novo alvo para o desenvolvimento de estratégias de prevenção da aids. O estudo, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy-Shriver (NICHD, sigla em inglês), nos Estados Unidos, foi publicado nesta quinta-feira no periódico PLOS Pathogens.

Conheça a pesquisa

TÍTULO ORIGINAL: Interleukin-7 Facilitates HIV-1 Transmission to Cervico-Vaginal Tissue ex vivo

ONDE FOI DIVULGADA: periódico PLOS Pathogens

QUEM FEZ: Andrea Introini, Christophe Vanpouille, Andrea Lisco, Jean-Charles Grivel e Leonid Margolis

INSTITUIÇÃO: Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy-Shriver (NICHD), EUA

RESULTADO: Ao adicionar, ao tecido vaginal, IL-7 em concentrações semelhantes àquelas presentes no sêmen de homens infectados pelo HIV, o vírus foi transmitido de forma mais eficiente e se replicou mais do que aconteceria sem a presença da proteína. A interleucina 7 também inibe o processo de apoptose, morte celular programada das células infectadas pelo HIV, postergando a destruição das células infectadas e permitindo que elas produzam mais vírus, aumentando a chance de disseminação pelo tecido.

De acordo com pesquisadores, além dos espermatozoides, o sêmen contém diversos tipos de citocinas. Quando o homem é infectado pelo HIV, a concentração da interleucina 7 no sêmen é muito aumentada. No entanto, até o momento, havia pouco conhecimento científico sobre o impacto dessa proteína na transmissão do vírus.

Para a realização do estudo, os pesquisadores desenvolveram um método de cultura em laboratório de tecido cérvico-vaginal, de modo que a transmissão do HIV pôde ser simulada e estudada em condições controladas. Os pesquisadores observaram que, ao adicionar ao tecido a IL-7 em concentrações semelhantes àquelas presentes no sêmen de homens infectados pelo HIV, o vírus foi transmitido de forma mais eficiente e se replicou mais do que aconteceria sem a presença da proteína.

A interleucina 7 também parece inibir o processo de apoptose, que é conhecido como ‘suicídio celular’, já que é a morte programa das células – nesse caso, das infectadas pelo vírus HIV. Com isso, a IL-7 acaba postergando a destruição das células infectadas e permitindo que elas produzam mais vírus, aumentando a chance de disseminação pelo tecido. Além disso, a interleucina 7 estimula a proliferação de Linfócitos T (células do sistema imunológico), criando mais alvos potenciais para a infecção pelo HIV.

Para os autores, a interleucina 7 e outras citocinas podem determinar as taxas de transmissão sexual do HIV, além de explicar os diferentes potenciais de transmissão dos indivíduos. Porém, segundo os pesquisadores, serão necessários outros estudos para confirmar essa hipótese.

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