‘Picles do mar’ invadem costa dos EUA e preocupam cientistas

Estranhos animais com aparência gelatinosa chegaram à costa Noroeste do país nos últimos meses, obstruindo equipamentos de pesca

Estranhos animais com aparência gelatinosa e formato de minúsculos picles invadiram a costa Noroeste dos Estados Unidos nos últimos meses, preocupando pescadores e cientistas da região. Esses organismos marinhos, chamados Pyrosoma, são tão raros e misteriosos que foram apelidados de “unicórnios do mar” pelos biólogos. Eles podem ter alguns centímetros ou até 8 metros e são mais comuns em águas tropicais, sendo raramente vistos ao Norte do Oceano Pacífico. Mas, desde 2015, têm se multiplicado e agora, estão em toda a costa do estado americano de Oregon, chegando a obstruir equipamentos de pesca.

“Temos muitas perguntas e poucas respostas. Estamos tentando coletar o máximo de informação possível para tentar entender o que está acontecendo e quais as razões da abundância desses animais”, disse em comunicado o pesquisador Ric Brodeur, da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Brodeur, que trabalha na região há quarenta anos, afirmou que jamais havia visto um Pyrosoma até recentemente.

“Picles do mar”

O Pyrosoma (Pyrosoma atlanticum) é uma colônia de minúsculos animais marinhos chamados zooides que partilham o mesmo tecido, formando uma espécie de “tubo” fechado em uma das extremidades. Ele filtra a água e se alimenta de plâncton que atrai com pequenas projeções parecidas com fios de cabelo. A criatura também pode ser bioluminescente, daí seu nome: “Pyro” é fogo e “soma”, corpo, em grego. Alguns peixes ósseos, golfinhos e baleias consomem Pyrosoma, mas os cientistas pouco sabem sobre o papel desses animais no ecossistema marinho ou como sua abundância pode estar afetando a cadeia alimentar.

Com a invasão dessas criaturas na região, pesquisadores do Centro de Pesquisas de Pesca da NOAA estão colaborando com cientistas da Universidade do Estado do Oregon e da Universidade de Oregon para tentar descobrir mais sobre o estranho animal e por que o número de Pyrosoma explodiu na costa Noroeste recentemente. Os estudos tiveram início em maio deste ano, quando pesquisadores da NOAA capturaram cerca de 60.000 desses seres durante a pesca de um peixe raro no rio Columbia, cuja bacia deságua no Oregon. A pesquisadora Hilarie Sorensen, da Universidade de Oregon, também encontrou os animais quando estava em busca de águas-vivas.

“Achamos Pyrosoma em todas as estações de amostragem, mas não vimos muitas águas-vivas, que eram abundantes na região em 2015 e 2016”, disse Hilarie, em comunicado da Universidade de Oregon. “De início, não sabíamos o que fazer com essas estranhas criaturas aparecendo em nossas redes de pesca, mas conforme navegávamos ao Norte e mar adentro, começamos a pegar cada vez mais. Começamos, então, a contar e medir esses animais e tentar entender melhor a relação entre tamanho e distribuição de Pyrosoma e as condições ambientais locais”, afirma Hilarie.

Os tamanhos dos organismos capturados variavam de 4 centímetros a mais de meio metro e, quanto maior a distância da costa, mais largos e abundantes eram os animais. De acordo com a cientista, conforme caía a noite eles saiam do fundo do mar em direção a superfície.

Possíveis causas

Para a pesquisadora, uma hipótese para o aumento da presença dos animais e que eles migraram em direção ao Norte pelas águas da região estarem mais quentes nos últimos três anos. Outra possível explicação é que eles normalmente ficam mais longe da costa, mas estariam sendo enviados para perto do continente por correntes marítimas.

Em toda a Corrente Norte da Califórnia, que abrange o Norte da Califórnia e os estados de Oregon e de Washington, a presença do animal cresceu em 2015 e 2016, mas a abundância registrada em 2017 é sem precedentes, afirmam os cientistas. Até mesmo com a temperatura do mar mais baixa dos últimos meses. Pescadores de salmão e camarão reportaram, inclusive, grandes capturas de Pyrosoma no sul do Alasca.

Comentários

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  1. Luiz Carlos Porto

    Hoje não quero comentar nada.

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