Pela 1ª vez, computador vence profissional no jogo Go

Programa de inteligência artificial do Google derrotou campeão europeu do milenar jogo de tabuleiro oriental – considerado um dos maiores desafios para as máquinas por sua complexidade

Um programa de inteligência artificial do Google venceu, pela primeira vez, um campeão humano do jogo de estratégia Go. O milenar jogo oriental de tabuleiro sempre foi considerado um dos maiores desafios para os computadores por seu amplo espectro de movimentos das peças – muito superior ao do xadrez, por exemplo.

De acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista Nature, o software AlphaGo, criado pela companhia de inteligência artificial DeepMind, adquirida pelo Google em 2014, venceu todos os jogos de uma série de cinco contra o campeão europeu de Go Fan Hui. Até então, programas de computador haviam apenas derrotado amadores jogo oriental. Além disso, o índice de vitórias do AlphaGo contra outros softwares especializados em Go é de 99,8%.

A vitória da máquina contra um campeão humano não significa um progresso apenas no campo do entretenimento – a técnica usada pelo software poderá trazer inúmeros avanços nas diversas áreas da inteligência artificial, como a medicina, economia e meteorologia.

“Este é, realmente, um grande resultado, é enorme”, disse à Nature Rémi Coulom, um programador francês responsável pelo programa Crazy Stone – considerado até então o melhor software de inteligência artificial voltado para o Go. Coulom acrescentou que acreditava que a vitória de uma máquina contra um grande jogador de Go ainda levaria uma década.

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A Associação Britânica de Go divulgou um comunicado para parabenizar a DeepMind pela conquista. Porém, afirmou que espera uma revanche contra a máquina, que enfrentará em março o número um do mundo nos últimos dez anos, o sul-coreano Lee Sedol.

Há alguns anos, a inteligência artificial tem tido sucesso em derrotar humanos em complexos jogos de tabuleiro, como o Deep Blue, da IBM, que derrotou o campeão russo de xadrez Garry Kasparov em 1997. O complexo Go, criado há mais de 2.500 anos na China, era a última barreira.

Algoritmos – O AlphaGo, destacaram os criadores, pode permitir importantes avanços em setores que antes pareciam inacessíveis. De acordo com os especialistas da DeepMind, o software utiliza “redes de valor” para avaliar posições no tabuleiro e “redes de tática” para escolher os movimentos das peças. Além disso, os algoritmos do programa aprenderam a jogar interpretando os padrões do jogo e também assimilando as informações das próprias jogadas e dos movimentos dos oponentes. Por isso, a técnica do AlphaGo poderá ser utilizada em diversas áreas da inteligência artificial que usem o reconhecimento de padrões complexos, planejamento de longo prazo e tomada de decisão. Os exemplos vão desde equipamentos médicos de diagnósticos por imagem até modelos de previsão meteorológica.

Regras – O “Go” é disputado sobre um tabuleiro feito com 19×19 linhas. Os oponentes devem colocar de forma alternada peças brancas e negras nas interseções livres. O objetivo é dominar a maior parte da superfície do tabuleiro. Os jogadores devem escolher entre colocar as peças juntas, protegê-las para evitar que sejam capturadas ou separá-las de modo que possam ocupar maior espaço.

(Com agência EFE)