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Paralisada há 15 anos, mulher consegue beber café usando braço mecânico controlado pela mente

O sucesso do experimento pode permitir que pessoas paralisadas possam se comunicar e realizar tarefas sozinhas

Cientistas americanos conseguiram fazer uma mulher paralisada segurar uma garrafa de café e bebê-lo em um canudinho usando um braço mecânico controlado pela mente. Essa é a primeira vez, em 15 anos, que Cathy Hutchinson consegue realizar uma ação por sua própria vontade. Hutchinson ficou tetraplégica e incapaz de falar depois de sofrer um acidente vascular cerebral.

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A conquista de Hutchinson foi apresentada em artigo publicado nesta quarta-feira na revista Nature, conduzido por um grupo de cientistas da Universidade de Brown. Além do vídeo gravado em abril do ano passado (clique aqui para assistir), no qual Hutchison aparece tomando café, o artigo mostra resultados de outros experimentos, realizados também com um homem tetraplégico de 66, identificado apenas como Robert.

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CÓRTEX MOTOR

É a área do cérebro mais importante no controle dos movimentos voluntários. Fica localizada logo atrás do lobo frontal e à frente do lobo parietal.

cérebro divisão

Antes de pedir que os participantes realizassem movimentos com o braço mecânico, os neurocirurgiões implantaram 100 eletrodos da espessura de um cabelo no córtex motor do cérebro deles. Esses pequenos equipamentos gravaram os sinais neurais associados à intenção de produzir movimento.

Poder da mente – Em um dos experimentos do estudo, os dois participantes tiveram 30 segundos para alcançar bolhas de sabão usando os braços mecânicos. Robert, com um dos dois tipos de braço mecânicos usados no estudo, conseguiu 62% de sucesso na tarefa. Ele sofreu AVC em 2006 e fez o implante dos eletrodos seis meses antes do experimento.

Hutchinson, cujo implante foi realizado em 2005, teve 46% de sucesso na tarefa usando um dos braços e 21% com o outro equipamento. No teste com a garrafa de café, ela conseguiu ingerir a bebida em quatro de seis tentativas.

“Esta foi a primeira vez em quase 15 anos que ela foi capaz de pegar algo exclusivamente com sua própria vontade, e o sorriso em seu rosto quando ela conseguiu foi algo que eu, e sei que toda a nossa equipe de pesquisa, nunca esqueceremos”, disse o neuroengenheiro da Universidade de Brown e coautor do estudo, Leigh Hochberg.

O desafio do experimento consiste em decodificar os sinais neurais captados pelo implante dos pacientes e então convertê-los em sinais digitais para comandar o robô que vai executar o movimento pretendido. Quanto mais complexo o movimento, mais difícil o processo de decodificação.

Esses experimentos são parte de um projeto maior, o BrainGate2, liderado por John Donoghue, diretor do Instituto de Ciências Cerebrais em Brown. Sua equipe já realizou anteriormente um teste no qual pacientes paralisados conseguiram movimentar um cursor em uma tela de computador usando o cérebro.

A equipe continua recrutando pessoas para fazer novos com o objetivo de verificar se o procedimento de implante é seguro.

Sete pessoas já receberam implantes e nenhuma mostrou efeitos adversos sérios. Os pesquisadores esperam recrutar um total de 15 pessoas que tenham sido paralisadas por motivos distintos como AVC, problemas neurodegenerativos ou por danos na medula espinhal.

Esperança – Os cientistas estão eufóricos com os resultados, que mostram que pessoas que estão paralisadas há muito tempo podem um dia conseguir se comunicar e fazer ações por si mesmas.

Apesar do clima esperançoso, Donoghue enfatiza que ainda há um grande caminho a ser percorrido. “Os movimentos até agora estão muito lentos e pouco precisos, nós precisamos aprimorar os algoritimos de decodificação.”

Abaixo, vídeo (em inglês, com legendas em português) mostra como funciona o experimento:

(Com Agência France-Presse)