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“O gás hélio está acabando”, diz físico vencedor do Nobel

Reservas estariam a 25 anos do esgotamento. Elemento é usado em equipamentos complexos e não tem substituto

O gás hélio não pode ser produzido artificialmente

Em entrevista à revista britânica New Scientist, Robert Richardson, vencedor do prêmio Nobel de Física em 1996 por seu trabalho com átomos do Hélio-3, disse que as reservas de gás hélio estão acabando, e que a solução é aumentar o preço. “Em 25 anos não teremos mais gás hélio”, afirmou.

O gás hélio é a segunda substância mais abundante do universo – 24% da massa da Via Lactea é formada pelo elemento – mas na Terra o único modo de obtê-la é através da exploração de rochas. A maior reserva do mundo, com um bilhão de metros cúbicos, fica nos Estados Unidos, e é controlada pelo governo americano, que mantém fixos os preços do gás.

O grande problema do fim do hélio não será o fim dos balões em festas de aniversário. Equipamentos de ressonância magnética, reatores nucleares e telescópios espaciais usam componentes que só podem ser resfriados com hélio líquido. Como é o elemento com menor ponto de ebulição, 267ºC abaixo de zero, não tem substituto. E também não é possível extraí-lo do ar a preços viáveis (Richardson fala em valores 10.000 vezes maiores que os atuais), nem produzi-lo artificialmente.

A solução, segundo Richardson, é tirar as reservas da esfera governamental e deixar os preços seguirem a lei da oferta e procura. “Provavelmente os balões de festa vão custar 100 dólares, não três dólares, mas teremos de viver com isso.”