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Grupo cria rato de duas cabeças; transplante humano é o próximo

Um dos autores do estudo é Sergio Canavero, neurocirurgião italiano que pretende realizar o primeiro transplante de cabeça humano, ainda em 2017

Cientistas chineses acabam de criar um rato com duas cabeças, indica pesquisa publicada em abril na revista CNS Neuroscience & Therapeutics. Para realizar o experimento, a equipe contou com a ajuda do neurocirurgião Sergio Canavero, que pretende realizar o primeiro transplante de cabeça humano da história dentro dos próximos meses. O objetivo do estudo divulgado recentemente era completar o transplante sem causar danos cerebrais relacionados à perda de sangue e evitar que a cabeça fosse rejeitada pelo sistema imune do receptor.

Experimentos anteriores já haviam sido realizados com cachorros e macacos para testar a preservação dos neurônios quando o fluxo de sangue é interrompido ao cortar a cabeça do doador – porém, nenhum deles tinha como prioridade a sobrevivência a longo prazo. Na experiência coordenada por Canavero e os pesquisadores chineses, eles conseguiram fazer com que o animal de duas cabeças sobrevivesse por 36 horas. Se esse tempo de sobrevivência aumentar, o neurocirurgião italiano pode estar um passo mais perto de concretizar o tão controverso transplante de cabeça humana, que pode ajudar pessoas com alguns tipos de doenças degenerativas.

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Para realizar o estudo, Canavero e cientistas da Universidade de Medicina de Habin, na China, utilizaram três ratos. Um deles foi escolhido para ser o receptor, outro para ser o doador (o menor deles) e outro para fornecer sangue durante o processo. Depois, os pesquisadores ligaram os vasos sanguíneos do rato doador às veias do rato fornecedor usando tubos de silício, fazendo com que o sangue passasse por uma bomba peristáltica e abastecesse o cérebro do primeiro animal.

Uma vez que a cabeça já havia sido transplantada ao corpo do rato receptor, os pesquisadores usaram enxertos vasculares para conectar a aorta torácica do doador e veia cava superior à artéria carótida e veias extracorpóreas do receptor. Segundo a equipe, não houve lesão no tecido cerebral do doador como resultado de perda de sangue, cumprindo o objetivo do experimento. Além disso, os cientistas ressaltam que, após a cirurgia, a cabeça do doador ainda era capaz de piscar e sentir dor.

Transplante de cabeça humano

Canavero já havia anunciado que o controverso transplante de cabeça humana ocorreria em dezembro de 2016. Porém, muitos especialistas se opuseram ao plano, argumentando que esse tipo de procedimento ainda está muito longe da realidade, mesmo com alguns testes bem-sucedidos em animais.

Agora, em 2017, o neurocirurgião italiano afirma não ter abandonado o plano e pretende realizar o procedimento ainda este ano. O russo Valery Spiridonov, que sofre de atrofia muscular espinhal, é voluntário para ser a primeira pessoa a passar pela operação.