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‘Fiação’ mais sofisticada, e não apenas cérebro maior, ajudou humanos a evoluírem além dos chimpanzés

Responsáveis por estudo afirmam que ele poderá aprofundar conhecimento sobre doenças humanas

Os cérebros de humanos e chimpanzés são anatomicamente semelhantes porque ambos evoluíram a partir de um mesmo ancestral, há milhões de anos. Mas onde acaba cérebro do chimpanzé e começa o cérebro humano?

Um novo estudo divulgado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) afirma ter mapeado com precisão padrões humanos de atividade genética no cérebro que podem esclarecer como os humanos evoluíram de forma diferente do chimpanzé, seu parente mais próximo.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Human-Specific Transcriptional Networks in the Brain

Onde foi divulgada: revista Neuron

Quem fez: Daniel Geschwind e Genevieve Konopkan

Instituição: Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), EUA

Dados de amostragem: tecidos cerebrais

Resultado: As diferenças do tamanho do cérebro de macacos e humanos não são responsáveis pelas diferenças entre as espécies. Extensões cerebrais mais sofisticadas ajudaram na evolução humana.

O estudo foi publicado na última edição da revista Neuron. Segundo os pesquisadores, a identificação desses genes pode melhorar a compreensão de doenças cerebrais do homem, como o autismo, a esquizofrenia, distúrbios de aprendizagem e diferentes vícios.

“Os cientistas normalmente descrevem a evolução como sendo o cérebro humano crescendo e adicionando novas regiões. Mas nossa pesquisa sugere que não foi apenas o tamanho, mas a crescente complexidade nos centros cerebrais que levou os seres humanos a evoluir para sua própria espécie”, disse o pesquisador principal do estudo, Daniel Geschwind, que atua como professor de neurologia na escola de medicina da UCLA .

Diferenças no DNA – Geschwind e seus colegas pesquisadores fizeram o sequenciamento genético de tecidos cerebrais para estudar a atividade genética de humanos, chimpanzés e macacos rhesus. Todos eles compartilham um mesmo ancestral em comum.

Segundo os cinetistas, essa pesquisa permitiu observar onde exatamente surgiram as diferenças entre humanos e chimpanzés.

Eles estudaram três regiões do cérebro – o lobo frontal, o hipocampo e o corpo estriado -, se concentrando onde o DNA das espécies mais apresentava diferenças.

“Quando olhamos para a atuação dos genes no lobo frontal, vimos um aumento notável em termos de complexidade molecular no cérebro humano”, disse Geschwind.

“Apesar de todas as três espécies compartilharem um lobo frontal, nossa análise mostra como a ‘fiação’ do cérebro humano regula moléculas e genes de uma maneira mais elaborada”, explicou Genevieve Konopka, o outro autor do estudo. Os cientistas acreditam que a intensa atividade celular no lobo frontal criou as condições para a evolução humana.

Relógio – As maiores diferenças, segundo os pesquisadores, ocorrem na expressão de genes humanos envolvidos na plasticidade – a capacidade do cérebro de processar informação e se adaptar. Isso reforça a premissa de que o cérebro humano evoluiu para permitir maior capacidade de aprendizado.

Um gene em particular, chamado Clock (relógio, em inglês), comportou-se, segundo os cientistas, de modo muito diferente no cérebro humano.

Os cientistas afirmam que grupos de genes funcionam como raios de uma roda: se organizam e giram em torno de um gene principal. É o caso do Clock.

Considerado o regulador mestre do ritmo circadiano (período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia todo o ciclo biológico do corpo), Clock é interrompido em transtornos de humor, como depressão e síndrome bipolar.

A novidade, segundo os cientistas, é que testes mostraram que o gene assumiu um papel de protagonista que não parecia relacionado ao ritmo circadiano, como acontece com os macacos.

“Isso oferece uma pista interessante de que ele organiza outras funções essenciais para o cérebro humano”, disse Geschwind.

Ao comparar o cérebro humano com os de primatas não humanos, os pesquisadores observaram mais conexões entre redes de genes que contam com os genes FOXP1 e FOXP2, que são ligados à capacidade única dos humanos de fala e entender a linguagem.

“Faz todo o sentido que os genes envolvidos na fala e na linguagem serem menos conectados nos cérebros de primatas, e altamente conectados no cérebro humano”, disse Geschwind.

O próximo passo dos pesquisadores será expandir a pesquisa para dez ou mais regiões dos cérebros humanos e dos chimpanzés.