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Falta de exercício enfraqueceu o osso humano, diz estudo

Perda de massa óssea, alertam os pesquisadores, atinge níveis preocupantes

O estilo de vida sedentário tornou o esqueleto humano mais frágil e suscetível a fraturas. Há 7.000 anos, o esqueleto de caçadores-coletores era tão forte quanto o de um orangotango. Já os ossos de agricultores, há 1.000 anos, eram 20% mais leves e fracos que os dos ancestrais. A revelação é de um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico PNAS.

A perda de massa óssea, alertam os pesquisadores, está atingindo níveis preocupantes, na medida em que a pessoas fazem menos exercícios, locomovem-se de carro, passam o dia sentadas e vivem mais. A osteoporose é uma das doenças que ameaçam a longevidade, principalmente o sexo feminino. De acordo com dados da Fundação Internacional de Osteoporose, uma em cada três mulheres com mais de 50 anos terá a enfermidade.

Um time internacional de cientistas analisou por meio de tomografia de alta resolução e microtomografia a cabeça do fêmur de caçadores-coletores e de agricultores, a partir de amostras coletadas em uma região onde é hoje o Estado americano do Illinois. Eles compararam essas estruturas com ossos de primatas modernos de tamanho semelhante ao humano, como chimpanzés, gorilas e orangotangos. Ao todo, 59 adultos humanos e 229 símios foram estudados.

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Para os cientistas, anatomicamente falando, não há motivo para uma pessoa nascida hoje não ter massa óssea igual à de símio ou de um caçador-coletor. Ainda assim, é pouco provável que mesmo os indivíduos mais ativos fisicamente desenvolvam ossos tão fortes quanto dos nossos parentes símios ou ancestrais.

“Nós somos humanos, não há motivo para não sermos fortes como um orangotango. Se não somos, é porque não estamos desafiando nossos ossos com a carga suficiente, o que torna nosso esqueleto mais fraco e, conforme envelhecemos, sofremos fraturas que, no passado, não sofreríamos”, afirma Colin Shaw, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Fontes: Ari Halpern, reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo; André Luiz de Campos Pessôa, coordenador de ortopedia do Hospital Caxias D’Or – Rede D’Or São Luiz, no Rio de Janeiro; Cristiano Zerbini, reumatologista membro da Fundação Internacional da Osteoporose e do Centro de Saúde Óssea do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo; e Marco Aurélio Neves, ortopedista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

(Da redação de VEJA.com)