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Falar sobre sentimentos melhora reação do corpo a eles

Em uma nova pesquisa, os participantes que sentiram raiva, mas que falaram sobre esse sentimento, apresentaram um aumento de batimentos cardíacos menor do que quem não falou sobre como estava se sentindo

O simples ato de descrever um sentimento como a raiva pode afetar positivamente a resposta fisiológica do organismo a ele. É o que mostra um estudo publicado nesta quarta-feira, no periódico Plos One.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The Effects of Measuring Emotion: Physiological Reactions to Emotional Situations Depend on whether Someone Is Asking

Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Karim S. Kassam e Wendy Berry Mendes

Instituição: Universidade Carnegie Mellon e Universidade da Califórnia, São Francisco, EUA

Dados de amostragem: 102 moradores da cidade de Cambridge, nos EUA

Resultado: Os participantes que foram levados a sentir raiva e depois responderam um questionário sobre seus sentimentos apresentaram um aumento menor dos batimentos cardíacos, em comparação àqueles que responderam o questionário neutro

A pesquisa foi realizada com 102 moradores da cidade de Cambridge, nos Estados Unidos. Os participantes tiveram que cumprir uma difícil questão matemática, acompanhados por um instrutor. Esse instrutor foi orientado a falar com os participantes sobre suas performances de modo a deixar parte deles sentindo raiva e o restante, vergonha. No final, parte dos participantes respondeu a um questionário sobre seus sentimentos e o restante, a outro com perguntas neutras e sem relação com estado emocional.

Entre as pessoas que sentiram raiva, aquelas que responderam a perguntas sobre seus sentimentos apresentaram uma resposta fisiológica (avaliada na mudança de frequência cardíaca) diferente de quem respondeu a questões neutras. A resposta natural do corpo ao sentimento de raiva provoca o aumento da frequência cardíaca e eleva o fluxo de sangue ao cérebro e aos principais músculos do corpo. Porém, os participantes do estudo que sentiram raiva, mas que se expressaram a respeito de seus sentimentos, apresentaram um aumento menor dos batimentos cardíacos em comparação àquelas que responderam o questionário neutro.

As pessoas que foram levadas a sentir vergonha, porém, não apresentaram diferenças fisiológicas significativas.

Para os autores, os resultados mostram que perguntar às pessoas sobre suas emoções pode ter um impacto significativo em sua resposta fisiológica, e esse impacto depende do tipo de sentimento que está sendo vivenciado no momento. “Efeitos de medição existem nas ciências – o ato de medir alguma coisa frequentemente modifica propriedades daquilo que está sendo medido. Nós sugerimos que emoções não são uma exceção”, escrevem os autores no artigo que descreve os resultados obtidos.

Karim Kassam, um dos autores do estudo, conta que, para ele, o mais impressionante foi como uma ação tão simples pôde causar um impacto significativo. “Nós só perguntamos às pessoas como elas estavam se sentindo e isso teve um impacto considerável em sua atividade cardiovascular”, afirma.

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