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Estrela misteriosa intriga cientistas. Seria vida extraterrestre?

Astrônomos não entendem o que acontece com a KIC 8462852, estrela a 1.500 anos-luz da Terra, e consideram a construção de uma imensa estrutura por alienígenas

Uma estrela misteriosa, entre as constelações de Cisne e Lira, a 1.500 anos-luz da Terra (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros), está agitando astrônomos em todo o mundo. Seu brilho exibe padrões tão incomuns que, entre todas explicações científicas levantadas, a mais plausível parece ser uma incrível estrutura construída por alienígenas. Quem deu início à excêntrica hipótese – levada a sério pelos cientistas – é uma equipe de pesquisadores liderados por Tabetha Boyajian, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e pelo astrônomo americano Jason Wright, da Universidade Penn State.

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O time do qual Tabetha faz parte publicou recentemente artigo no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society descrevendo a KIC 8462852, uma estrela observada pelo telescópio Kepler, o mais competente caçador de planetas fora do Sistema Solar, lançado em 2009. Suas lentes captam o brilho das estrelas – quando há uma diminuição padronizada da luz emitida por elas, isso significa que algo está passando entre a estrela e o telescópio. Na maior parte das vezes, é um planeta (que costuma ter tamanho intermediário entre a Terra e Netuno). No entanto, a KIC 8462852 emitia um padrão luminoso inédito.

Brilho aleatório – Sua luz diminui de tal forma que, de acordo com os pesquisadores, a “sombra” não pode ser gerada por um planeta. Normalmente, quando um planeta passa por uma estrela, seu brilho diminui entre 1% e 2%. Mas, durante os quatro anos de observações do Kepler, a luz de KIC 8462852 diminuiu entre 15% e 25% em intervalos aleatórios. Ela tem 1,5 vezes o tamanho do Sol e, para escurecê-la dessa forma, seria necessário um objeto muito grande – bem maior que um planeta.

Uma das explicações para o fenômeno poderia ser uma estrela bem mais escura, uma nuvem de destroços cósmicos ou gigantescas manchas estelares ao redor da estrela. Mas eles deveriam emitir radiações infravermelhas, que não foram captadas. Os pesquisadores refizeram os cálculos e procuraram problemas com o telescópio, suas lentes, medições ou defeitos nos instrumentos usados para medir o brilho da estrela. Nada foi detectado. As investigações conduziram para a hipótese, não muito convincente, de que um grupo de cometas poderia estar interferindo no brilho da estrela e causando a sombra misteriosa. Mas, ainda assim, ele deveria deixar rastros que não foram detectados pelos cientistas. Foi nesse ponto que a hipótese de vida extraterrestre entrou em cena.

Estrutura alienígena – Frente aos resultados do estudo, Tabetha procurou Jason Wright, conhecido pesquisador que analisa pistas científicas de vida fora da Terra. Uma das possibilidades levantadas foi a proposta pelo físico britânico Freeman Dyson, em um artigo de 1960 na revista Science.

Dyson afirma que, conforme uma sociedade se desenvolve, ela precisa de quantidades crescentes de energia para se sustentar. Após exaurir seu planeta, ela buscaria fontes externas, como a vinda de sua estrela. Para captá-la, essa civilização construiria uma estrutura sofisticada com algo como painéis solares gigantescos que iriam, aos poucos, envolvendo a estrela. A construção, batizada de Esfera de Dyson, iria paulatinamente bloqueando a luz. De acordo com os Wright e Tabetha, o que o telescópio Kepler estaria captando seria essa construção, ainda incompleta, ao redor de KIC 8462852.

“Alienígenas são sempre a última hipótese a ser considerada, mas isso parece algo que esperaríamos que uma civilização extraterrestre poderia construir”, disse Wright à revista americana The Atlantic.

As quedas do brilho, portanto, seriam as partes da estrutura já construídas. A energia produzida por ela, que se transformaria em radiação infravermelha, ainda não pode ser captada por nós porque ela ainda não está terminada.

Explicação natural – A hipótese parece improvável e é por isso que os astrônomos sugerem continuar investigando os padrões e monitorando essa estrela que está se mostrando a mais misteriosa do Universo. Wright deve publicar um artigo sobre ela nos próximos meses e a equipe de Yale espera poder usar telescópios e instrumentos que captem ondas de rádio para observar a estrela e a região a seu redor. Se houver alguma civilização alienígena por lá, eles devem saber utilizar essas ondas – basta encontrar a frequência exata das emissões.

De toda forma, o comportamento incomum da KIC 8462852 merece atenção. Tornou-se famoso entre os cientistas um fenômeno inexplicável detectado em 1967 em que a hipótese de vida extraterrestre foi levantada. Batizado de LGM-1 (sigla para “Little Green Men” ou “Pequenos Homens Verdes”), ele se revelou a primeira emissão de rádio detectada de um pulsar (uma estrela de nêutrons altamente magnetizada). Como o evento de meio século atrás, a surpreendente estrela talvez leve a novas descobertas no cosmos.

(Da redação)