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Este biólogo paisagista mudou a realidade de cidades brasileiras

Com inúmeros projetos em espaços públicos, um dos mais respeitados profissionais da área fala sobre a importância social do paisagismo

Ajudar a ensinar a importância do paisagismo urbano na humanização e socialização das cidades.” Essa é a missão de Gustaaf Winters (CRBio 002495/01-D), 74 anos, biólogo holandês radicado no Brasil. Winters, que se graduou em ciências biológicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). já assessorou a arborização urbana e remodelação de mais de 800 espaços por cidades de todo o estado de São Paulo, tornando-se referência no ramo do macropaisagismo urbano brasileiro, principalmente dos espaços públicos. “A vocação de uma área pública é receber as pessoas e ressuscitar isso é maravilhoso”, afirma.

Foi dele, por exemplo, a autoria do projeto de paisagismo do Aeroporto Internacional de São Paulo e do Parque Ecológico do Tietê. Suas obras ainda ajudaram a diminuir em 53% a criminalidade de Vinhedo, cidade a 70 quilômetros de São Paulo, em um período de seis anos. “Melhoramos as entradas da cidade, remodelamos as praças, plantamos nos canteiros, fizemos jardins em todas as escolas e criamos centros recreativos e culturais dentro dos projetos de paisagismo”, lembra Winters. “A autoestima da cidade melhorou. As áreas de lazer e contemplação aumentaram e as pessoas ocuparam os lugares que antes eram inexistentes ou problemáticos.”

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A técnica do paisagismo planeja e organiza a paisagem para que as pessoas tenham um maior aproveitamento dos ambientes externos coletivos. “Não é somente a elaboração de jardins e praças. É a ressignificação de espaços. Inclui elementos da botânica, da ecologia, da arquitetura e do lazer para proporcionar a harmonização do ambiente e um maior aproveitamento dele pelas pessoas que o usufruem”, conta Gustaaf.

Após anos de dedicação aos trabalhos, palestras e assessorias de paisagismo e estudos ambientais, ele criou, em 1991, o Centro Paisagístico Gustaaf Winters em Holambra, a 120km da capital paulista, onde ensina suas técnicas e conhecimentos, e já formou mais de 15 000 alunos. “O grande legado que quero deixar é que a experiência que adquiri não morra comigo. Quero passar meu conhecimento para que outras pessoas repitam as técnicas de macro paisagismo urbano em suas cidades pelo Brasil e pelo mundo todo“.

Com cursos concorridos e discentes de diversos países, o biólogo acredita que as pesquisas e aprendizados do Centro Paisagístico podem influenciar para que haja um maior investimento na área: “Lazer, qualidade de vida, ocupação e ressignificação dos ambientes coletivos são alguns dos vários benefícios do paisagismo. Precisamos dele nas casas, nos espaços públicos e também nos privados. O verde é do mundo“.