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Duas comissões francesas rejeitam estudo que liga milho transgênico a câncer

Segundo uma das comissões, além de não encontrar relação entre os tumores dos ratos e o consumo do milho transgênico, os métodos foram 'inadequados'

No final de setembro, um estudo francês reavivou a discussão sobre a segurança dos alimentos transgênicos. Realizado pela equipe de Gilles-Eric Seralini, professor de biologia molecular da Universidade de Caen, o resultado do mostrava que ratos alimentados com milho transgênico desenvolviam câncer e morriam antes. Nesta segunda-feira, porém, duas comissões científicas francesas rejeitaram a pesquisa e pediram um estudo “independente” para avaliá-lo.

O Alto Conselho de Biotecnologia (ACB) afirmou não ter encontrado uma relação de causa entre os tumores dos ratos e o consumo do milho transgênico, como assegurava o estudo. Os métodos utilizados na pesquisa, segundo o ACB, que examinou a pesquisa a pedido do governo francês, são “inadequados”.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize

Onde foi divulgada: revista Food and Chemical Toxicology

Quem fez: Gilles-Eric Séralini, Emilie Clair, Robin Mesnage, Steeve Gress, Nicolas Defarge, Manuela Malatesta, Didier Hennequin, Joël Spiroux de Vendômois

Instituição: Universidade de Caen

Dados de amostragem: 200 ratos alimentados com transgênicos e com alimentos não-transgênicos durante dois anos

Resultado: ratos alimentados com milho transgênico desenvolviam câncer e morriam antes.

O conselho ainda recomendou um “estudo a longo prazo, independente e transparente” sob a autoridade do poder público a respeito da segurança para a saúde do milho transgênico NK603. Esta pesquisa deve levar em conta “visões contraditórias” para poder “responder às dúvidas da sociedade” sobre a toxidade ou inocuidade do milho transgênico, ressaltou o Comitê econômico, ético e social do Alto Conselho de Biotecnologia.

A Agência de Segurança Sanitária francesa também rejeitou nesta segunda-feira as conclusões do estudo da equipe de Seralini, que, segundo ela, “não permitem questionar as avaliações regulamentares procedentes sobre o milho transgênico NK603 e o Roundup”. Também pediu “a mobilização das finanças públicas nacionais e europeias dedicadas à realização de estudos e pesquisas” sobre este tema.

Seralini, no entanto, ainda defende a proibição dos transgênicos. O professor da Universidade de Caen considerou que a recomendação nesta segunda-feira do ACB de realizar um “estudo independente” constitui um “progresso”, mas opinou que, enquanto isso, este milho produzido pela Monsanto deve ser “proibido”.

“Público não sabe em quem acreditar” – O estudo dos cientistas da Universidade de Caen – que analisaram durante dois anos os efeitos em duzentos ratos do milho transgênico NK603 e do herbicida Roundup, o mais utilizado no mundo e produzido também pela Monsanto – retomou a controvérsia sobre os organismos geneticamente modificados (OGM).

O estudo da Universidade de Caen concluiu que nos ratos alimentados com transgênicos aparecem tumores até 600 dias antes que nos ratos não alimentados com transgênicos, enquanto no caso das fêmeas apareceram em média 94 dias antes, o que aumentou os temores sobre os riscos para a saúde dos seres humanos dos alimentos geneticamente modificados.

A publicação, em setembro, da pesquisa da equipe de Seralini gerou muitos chamados pedindo a suspensão da autorização de cultivo destes produtos, e levou o governo francês a lançar um “procedimento rápido” para verificar a validade científica do mesmo.

A França também declarou que se for confirmado que os transgênicos agrícolas são perigosos para a saúde, pedirá sua proibição em nível europeu, e também apresentou o tema à Agência de Segurança Sanitária.

Ao anunciar nesta segunda-feira os resultados que invalidam o estudo dos cientistas da Universidade de Caen, o ACB ressaltou que a nova pesquisa independente deve oferecer respostas às dúvidas da sociedade sobre os transgênicos. “A meta do novo estudo é tranquilizar a opinião pública, que não sabe mais em que acreditar”, disse Christine Noiville, presidente do comitê econômico, ético e social do Conselho.

(Com Agência France Presse)