Dinossauro Diplodoco comia folhas, não casca de árvore

Hábito alimentar desse gigante herbívoro, com 12 toneladas e 52 metros de comprimento, é desvendado com método de análise biomecânica em 3D

Pesquisadores britânicos e americanos desvendaram os hábitos alimentares do dinossauro Diplodoco (Diplodocus longus). Por meio da simulação de sua mordida, os cientistas descobriram que este gigante herbívoro se alimentava das folhas verdes que arrancava dos galhos, e não da casca das árvores, como se pensava. O estudo foi publicado no periódico científico Naturwissenschaften.

O Diplodoco foi descoberto há 130 anos. Era um saurópode, dinossauro com longos pescoço e cauda que andava sobre as quatro patas. Estima-se que tivesse até 52 metros de comprimento (6 metros só de pescoço) e pesasse mais de 12 toneladas.

“Por ter sido um animal tão grande, os hábitos alimentares do Diplodoco e seu comportamento sempre foram uma importante questão para os paleontólogos”, diz Casay Holliday, da Universidade de Missouri, uma das instituições envolvidas na pesquisa, ao lado da Universidade de Bristol, do Museu de História Natural de Londres e da Universidade de Ohio.

Ilustração mostra Diplodoco se alimentando de folhas, hábito foi identificado por imagens em 3D de fóssil do crânio da espécie

Até agora, acreditava-se que o Diplodoco usava a força das mandíbulas para arrancar as lascas das árvores. Mas a simulação dos movimentos do dinossauro, por meio de modelagens tridimensionais, desautoriza esta hipótese. “Descobrimos que esse processo colocaria muita tensão e pressão na mandíbula e no crânio do dinossauro, o que poderia resultar em dano aos ossos e até quebrar os dentes”, diz Holliday.

A simulação feita pelos pesquisadores mostrou que a estratégia alimentar mais provável do Diplodoco era alimentar-se das folhas de ramos que puxava dos galhos. “Desta forma, ele não sofreria nenhuma lesão, nem perderia os dentes”, diz Holliday.

“Os saurópodes, como os diplodocos, são animais tão estranhos e diferentes dos atuais que não há com o que compará-lo”, diz o coordenador da pesquisa Mark Young, doutorando da Universidade de Bristol. “Isso faz com que compreender seus hábitos alimentares seja muito difícil, e é por isso que modelagens biomecânicas são tão importantes para entendermos esses animais extintos há tanto tempo.”

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