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Como morreu Lucy, o fóssil-celebridade de 3,18 milhões de anos

Lucy provavelmente morreu ao cair de uma de uma árvore com 12 metros de altura

Lucy, mais conhecido exemplar de australopitecos da história, pode ter morrido ao cair de uma árvore. Foi o que descobriu uma equipe de cientistas americanos da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos. De acordo com os pesquisadores, a famosa Lucy, que viveu na África há 3,18 milhões de anos, provavelmente morreu ao cair de uma de uma grande altura – aproximadamente 12 metros. Estudos sobre a vida e morte (que permanecia um mistério) de Lucy podem trazer muitas informações sobre a sua espécie e a evolução humana.

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A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira na revista científica Nature. Os especialistas utilizaram tomografias computadorizadas para analisar os ossos do espécime. Ao avaliar as fraturas de Lucy, a equipe as comparou com restos mortais de outros casos clínicos. Assim, identificaram que essas rupturas correspondiam com quedas de grandes alturas, mais especificamente de árvores.

O famoso fóssil denominado Lucy foi descoberto em 1974 pelo professor Donald Johanson e o estudante Tom Gray, em Hadar, na Etiópia. A espécie é chamada de Australopithecus anamensis. Lucy era uma fêmea de pouco mais de um metro de estatura, que combinava traços humanos com características similares às do chimpanzé, e já caminhava ereta.

O principal indício que auxiliou na identificação do que possivelmente ocorreu com Lucy estava no ombro direito. De acordo com os pesquisadores, um dos lados do osso apresentava uma fratura por compressão – vistas quando um indivíduo cai de locais altos e tenta amortecer a queda esticando os braços. Com o impacto, a força é enviada até o ombro, causando pressão e, consequentemente, a fratura. Isso indica que Lucy estava consciente no momento da queda, de acordo com o antropólogo John Kappelman, líder do estudo, da Universidade do Texas em Austin.

Esquema criado para compreensão de Lucy, hominídeo mais antigo encontrado na Etiópia

Esquema criado para compreensão de Lucy, hominídeo mais antigo encontrado na Etiópia (Divulgação)

Lucy também apresentou fraturas no tornozelo direito, ombro esquerdo, quadril, pélvis e costelas. “A morte ocorreu rapidamente”, afirmou o pesquisador. De acordo com Kappelman, o estudo traz mais uma evidência que pode esclarecer se a espécie de Lucy vivia em árvores ou não. A pesquisa da equipe americana sugere que, mesmo vivendo grande parte de sua vida no solo, Lucy possivelmente subia em árvores durante a noite para se proteger. “É irônico saber que o fóssil que está no centro de um debate sobre o papel da escalada de árvores na evolução humana provavelmente morreu de ferimentos sofridos na queda de uma árvore”, disse Kappelman.

Confira abaixo o vídeo da equipe de pesquisadores da Universidade do Texas em Austin (em inglês):

Comentários

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  1. ABRAÃO LINCOLN SALES BASTOS

    Sinceramente, entre Criacionismo e Evolucionismo, prefiro ser descendente daquela Eva européia com longos cabelos loiros, toda pelada e só com uma folhinha de parreira na pubis

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  2. Explicação interessante. Fascinante podermos nos ver em trajetória evolutiva e sentirmos que seremos outros seres em alguns milhões de anos (isto, se nossa engenharia genética e ética não decidirem por determinarem como serão nossos corpos e DNA).

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