Cientistas do MIT criam método para manipular sonhos

Estratégia testada em ratos de laboratório pode servir no futuro para reforçar lembranças e bloquear memórias indesejadas em humanos

O alvo está dormindo. Um grupo de pessoas aproveita para inserir aparelhos em sua cabeça. Seus sonhos passam a ser manipulados. Parece enredo do filme A Origem. Só que neste caso o alvo não é um empresário bilionário, mas um pequeno rato de laboratório, cujos sonhos cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) dizem poder manipular.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Biasing the content of hippocampal replay during sleep

Onde foi divulgada: periódico Nature Neuroscience

Quem fez: Daniel Bendor e Matthew A Wilson

Instituição: Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)

Dados de amostragem: ratos de laboratório

Resultado: Cientistas afirmam que, por meio de estímulos durante o sono, conseguiram manipular os sonhos

No filme de 2010, o personagem de Leonardo DiCaprio devassava o inconsciente de suas vítimas para roubar segredos ou influenciar suas decisões. No estudo do MIT, os cientistas se contentam em influenciar a maneira como se fixam no cérebro de um rato as impressões de um passeio por um labirinto.

Os pesquisadores levaram em conta a maneira como o hipocampo, um dos lobos temporais do cérebro, registra no cérebro as lembranças de eventos que aconteceram ao longo do dia. Durante o sono, o hipocampo faz um “replay” de todos os eventos – algo crucial para a consolidação da memória de longo prazo.

Leia também:

A ciência por trás do filme ‘A Origem’

Foi durante esse “replay” que os cientistas conseguiram influenciar o sonho. No começo do estudo, eles colocaram um grupo de ratos em um labirinto. Assim que os animais começaram a correr, os cientistas passaram a tocar diferentes sons que serviam de dicas para que eles encontrassem alimento. Os ratos rapidamente aprenderam que um dos sons indicava que o alimento estava à esquerda. Outro som indicava alimento à direita. E enquanto os ratos corriam, os cientistas monitoravam sua atividade neural.

Depois da maratona por comida, os ratos dormiram, e mais uma vez tiveram sua atividade neural monitorada. Por meio de análises, os cientistas observaram que os ratos estavam em um estágio em que o hipocampo estava reativando as lembranças relacionadas ao seu dia no labirinto. Nesse momento, os pesquisadores tocaram novamente os áudios com as dicas no labirinto. Os cientistas então perceberam mudanças na atividade neural dos ratos. Os pesquisadores afirmam que a atividade neural dos ratos enquanto eles sonhavam passou a repetir o padrão registrado quando eles seguiram as dicas. Isso, segundo os cientistas, demonstra que sonhos podem ser manipulados.

A pesquisa foi publicada na edição de 2 de setembro do periódico Nature Neuroscience, e foi conduzida pelos neurocientistas Matthew Wilson e Daniel Bendor. “Isso abre a possibilidade de um controle do processamento da memória durante o sono para melhorar memórias selecionadas e bloquear ou modificar memórias indesejadas”, disseram os pesquisadores.