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Três questões cruciais sobre as passeatas desta quinta

Onze capitais brasileiras realizarão manifestações nas ruas nesta tarde

1) Depois da revogação do reajuste das tarifas de transporte, uma nova pauta vai se tornar dominante?

Embora desde o início o cardápio de reivindicações tenha se fragmentado, o reajuste das tarifas serviu de fio condutor das passeatas. Como mostrou pesquisa Datafolha desta quarta-feira, 67% da população de São Paulo identificava o aumento das tarifas como causa do movimento, ainda que os manifestantes quisessem protestar contra outros “males”. Agora que a batalha pela reversão dos aumentos foi vencida nas principais capitais, o movimento pode se esvaziar por falta de foco: as autoridades só foram emparedadas porque havia um pleito muito concreto lançado sobre a mesa. Há tentativas nas redes sociais de impor uma agenda, com temas como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37 e destituição de políticos.

2) Os partidos políticos conseguirão mostrar a cara nas passeatas?

Durante as manifestações, os partidos que tentaram mostrar suas bandeiras foram repelidos. Eles ensaiam uma reação nesta quinta-feira, pois temem ficar totalmente alijados dos acontecimentos. O presidente do PT, Rui Falcão, por exemplo, conclamou a militância a levar os símbolos do partido para a passeata. “Uma coisa é um partido aparelhar o movimento, outra é as pessoas se expressarem livremente com símbolos anarquistas, do MST, do PT. Ninguém tem que proibir”, disse ele à Folha de S. Paulo. A observar se o esforço para conter a presença dos partidos vinha de pequenos grupos ou se vinha da maioria.

3) Como as cidades-sede da Copa do Mundo vão lidar com a questão da segurança?

Quatro capitais que recebem jogos da copa das confederações receberam apoio da Força Nacional de Segurança. Além disso, a Abin – o serviço de inteligência do governo federal – passou a monitorar as mobilizações na internet. Isso denota a preocupação das autoridades com os danos que as manifestações podem causar à imagem do Brasil no exterior. A cobertura dos principais jornais internacionais tem sido intensa e em geral destacado o fato de que o grande esforço dos últimos anos para vender a imagem de um país onde tudo vai bem foi seriamente prejudicado.