Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Temer apela a Alckmin e Doria para manter PSDB

O medo de Temer é de que a saída do PSDB do governo crie um "efeito manada", ou seja, motive outros partidos a seguir o mesmo caminho

O presidente Michel Temer apelou ao governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ao prefeito, João Doria, para que eles trabalhem no sentido de esvaziar o caráter deliberativo da reunião da Executiva ampliada do PSDB marcada para hoje e que pode definir a saída dos tucanos da base aliada ao Palácio do Planalto.

Após a vitória de Temer no julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sexta-feira (9), o presidente, por meio de aliados e ministros do PSDB, pediu a Doria e a Alckmin que deem mais tempo a ele para reorganizar sua base e mostrar que o governo ainda tem força para aprovar as reformas defendidas pelo prefeito e pelo governador, principalmente a da Previdência. Dentro do próprio PSDB é dado como certo que Temer não conseguirá fazer as reformas sem o apoio dos tucanos.

O medo de Temer é de que a saída do PSDB do governo crie um “efeito manada”, na expressão de um senador do PMDB próximo a Temer, às vésperas de a Câmara dos Deputados analisar uma eventual denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente. Ou seja, a saída dos tucanos pode motivar outros partidos a seguir o mesmo caminho.

Na avaliação do Planalto, se os dois tucanos paulistas trabalharem para esvaziar a reunião de hoje ou para cabalar votos pela permanência do PSDB na base, a vitória de Temer estará garantida na Executiva, que tem 17 membros, caso haja uma votação deliberativa.

Rumo a 2018

Para auxiliares de Temer, as pretensões eleitorais de Alckmin e Doria favorecem um entendimento deles com o Planalto neste momento. A dupla também receia que a saída do PSDB da base governista leve o partido automaticamente para a oposição, o que favoreceria o PT e deixaria o governador numa posição de isolamento político para 2018. A ambos ainda interessaria manter Temer no cargo, ainda que com baixa popularidade, até 2018, quando um dos dois poderá ser o candidato a presidente.

No PSDB, a compreensão é de que a substituição de Temer, via eleição indireta no Congresso, poderia abrir caminho para Rodrigo Maia (DEM-RJ) ser candidato e permanecer no cargo de presidente, o que elevaria o cacife eleitoral do partido dele para 2018 e dificultaria um entendimento com os tucanos.

Até ontem à noite, Doria e Alckmin trabalhavam fortemente pelas pretensões de Temer dentro do PSDB. Porém, ambos não querem tomar o carimbo de “fiador” de um presidente prestes a ser denunciado no Supremo Tribunal Federal. Por isso, a dupla aceita dar mais um crédito a Temer, mas com prazo de validade definido e sujeito a uma mudança de rumos, na dependência de eventuais “fatos novos” e decisões da Justiça.

Ontem, Alckmin manteve seu discurso: “O importante é que o PSDB vai apoiar as reformas. Se vai preservar os ministérios, não importa”. O Planalto já tem apoios do grupo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na Executiva, além dos quatro ministros tucanos – Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

Os governistas esperam aprovar neste mês a reforma trabalhista no Senado, enquanto reorganizam as forças na Câmara. O Planalto receia que uma decisão desfavorável a Temer no PSDB, somada à repercussão da reportagem da revista Veja de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) espionou o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, desmobilize o Congresso.

Crise de identidade

A reunião de hoje ocorre num momento difícil na história do PSDB, fundado em 1988. Um tucano experiente lembrou uma frase do Manifesto ao Povo Brasileiro, feito pela sigla no ano da fundação: “Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo partido”. Para ele, este é o momento de o partido decidir de qual desses lados quer chegar até o ano que vem.

Hoje, o partido deve adiar mais uma vez a decisão. “A ideia é não tomar uma decisão. É muito curto o tempo entre a decisão do TSE e a reunião”, disse o secretário-geral do PSDB, deputado federal Silvio Torres (SP).

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Hermes Alves de Matos

    Alckenmin 2018! (na cadeia!)

    Curtir

  2. Vamos votar se queremos pertencer aos Estados Unidos. Como fez Porto Rico. O difícil é os americanos concordarem. Haja safadeza desses funcionários públicos ladrões, mentirosos e safados.

    Curtir

  3. Miguel Dias Gonçalves

    Bolsonaro2018 ponto final

    Curtir

  4. Geraldo Oliveira

    Votei no Aécio, que virou cadáver político! E o psdb quer quer segui-lo!!! Já vai tarde!!

    Curtir

  5. Calma Dória, cada coisa no seu tempo…pra vc a próxima é governador…quanto a Alkim, é fraco para presidente….não tem carisma, não entusiasma ninguém…já teve sua oportunidade e fracassou

    Curtir

  6. Severino de Araújo Ferreira

    Doria precisa ser preservado, se afastando do atual contexto político. para continuar sendo uma promessa saudável para 2018. Precisa se afastar até de Alckmin.

    Curtir

  7. Hermes Alves de Matos

    Sei, sei… esse “Doriana, afilhado do Gerallllldo; também não vale nada…

    Curtir

  8. Valmor Fernando

    VAI SER MUITO ESTRANHO O DORIA QUE VIVE CHAMANDO LULA DE LADRAO…APOIAR O PMDB …..FICAR DE OLHO….APOIO DO DORIA PODE SER UM TIRO NO PE DO PSDB….COMO EXPLICAR APOIO A UM GOVERNO EXPOSTO EM DENUNCIAS….

    Curtir