Tanzânia prefere perder ajuda britânica que permitir homossexualidade

Dar-es-Salam, 3 nov (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Tanzânia, Bernard Membe, afirmou nesta quinta-feira que seu país está disposto a perder a ajuda do Reino Unido antes de aceitar a homossexualidade.

A afirmação de Membe foi uma resposta ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que ameaçou no último domingo cortar a ajuda financeira dos países que ainda proíbem a homossexualidade, a menos que estes reformulem sua legislação.

Cameron destacou que esse tema já havia sido abordado na reunião da Commonwealth (Comunidade de Nações), que ocorreu na cidade australiana de Perth, no último fim de semana.

Em entrevista coletiva, realizada nesta quinta-feira em Dar-es-Salam, Membe ressaltou que o Governo da Tanzânia – uma ex-colônia britânica – vai manter sua postura de não reconhecer a homossexualidade.

‘Manteremos nossa dignidade e moralidade. Não deveríamos ser coagidos de nenhuma maneira só porque eles (Reino Unido) nos ajudam. Somos um Estado soberano com nossas próprias leis. O Reino Unido não fará nossas leis’, declarou o ministro.

‘Os assuntos deste país são administrados por seu Governo e seu povo, e não por um poder estrangeiro. Isso é o que chamamos de neocolonialismo e nós não nos rebaixaremos’, completou Membe.

O chefe da diplomacia tanzaniana citou um artigo da Constituição que proíbe as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, e lembrou que a Carta Magna ressalta que o pilar da nação é a família.

Na Tanzânia, a homossexualidade é um crime que acarreta penas de até 30 anos de prisão.

Membe também se referiu à reunião da Commonwealth e frisou que vários chefes de Estado e de Governo tentaram tratar o assunto, porém, suas tentativas foram inúteis.

‘Dos 54 membros da Commonwealth, apenas 13 aceitam a homossexualidade’, acrescentou o ministro de Relações Exteriores da Tanzânia. EFE