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SP: a tecnologia contra o rodízio de água

Equipamento importado da Alemanha é alternativa para aumentar a produção de água do Sistema Guarapiranga – e aliviar o combalido Cantareira

Diante da crise hídrica que se abateu sobre o Estado de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) lançou mão de sete grandes obras para permitir que a Região Metropolitana atravessasse o período seco sem a necessidade de adoção de racionamento de água. A mais urgente delas, a ligação do Rio Grande – braço da Represa Billings – com o Sistema Alto Tietê, deve ficar pronta em agosto deste ano. O pacote emergecial prevê também a ampliação, de 4.000 para 5.000 litros por segundo, da transferência de água da Billings para a represa Guarapiranga, na Zona Sul da capital paulista – o que elevará de 15.000 para 16.000 litros por segundo a capacidade do sistema. A ampliação da vazão, contudo, não é suficiente para solucionar o problema. A água captada precisa passar por um processo de filtragem -justamente por isso, a tecnologia se tornou uma importante aliada no combate ao rodízio de água em São Paulo.

Desde o final do ano passado, a Sabesp passou a utilizar membranas ultrafiltrantes, uma tecnologia já empregada nos Estados Unidos, Israel e Cingapura, para ampliar a disponibilidade hídrica da Grande São Paulo. Em junho, um carregamento de membranas importado da Alemanha permitirá ampliar em 1.000 litros por segundo a produção de água na Estação de Tratamento de Água Alto da Boa Vista, no Guarapiranga, o que permitirá o atendimento a 300.000 moradores da capital paulista. Dessa forma, áreas que hoje são atendidas pelo Sistema Cantareira passarão a ser abastecidas pelo Guarapiranga, aliviando o manancial mais afetado pela seca.

Membranas ultrafiltrantes têm uma série de vantagens sobre o método tradicional iodo ativado, que destrói agentes poluentes orgânicos. Enquanto o tratamento comum leva cerca de duas horas, as membranas permitem a limpeza da água em até 30 minutos, utilizando menos produtos químicos. De acordo com a Sabesp, o investimento com os equipamentos foi de 76,5 milhões de reais.

Os mecanismos contam com reatores biológicos de membranas que fazem uma ultrafiltragem da água e têm capacidade para remover partículas sólidas com diâmetro 1.000 vezes menor que o de um fio de cabelo. Depois, utiliza-se o processo de osmose por foto-oxidação, que elimina pequenas partículas, como bactérias e vírus. Por fim, a água é submetida a um processo de desinfecção final, com emprego de radiação ultravioleta associada ao peróxido de hidrogênio.

No final de 2014, o Sistema Guarapiranga desbancou o Cantareira do posto de maior produtor de água da Grande São Paulo. A capacidade de produção do manancial da Zona Sul passou de 14.000 para 15.000 litros por segundo graças ao uso das membranas. Os novos filtros elevarão a vazão para 16.000 l/s. Por causa disso, a produção do Cantareira ficará ainda menor: passará de 13.000 para 12.000 l/s.