Simão Jatene derrota Helder Barbalho e fica no governo

Governador tucano derrota filho do senador que já renunciou ao mandato para evitar cassação

O governador Simão Jatene (PSDB) venceu neste domingo a disputa com Helder Barbalho (PMDB) e vai comandar o Pará por mais quatro anos. Com quase 97% das urnas apuradas, o tucano tem 52% dos votos válidos, contra 48% do peemedebista. O atual ocupante do cargo derrotou o filho do senador Jader Barbalho, maior símbolo da corrupção no Pará. Helder é a terceira geração da família na política. Sua candidatura foi acertada sob as bênçãos do ex-presidente Lula em troca do lançamento do ex-deputado Paulo Rocha, inocentado no julgamento do mensalão, para a vaga do Senado. Durante a campanha, o peemedebista dividiu palanques com Lula e com a presidente Dilma Rousseff.

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De pai para filho

O PSDB governou o Estado, que tem cinco milhões de eleitores, em doze dos últimos dezesseis anos, com a exceção do período entre 2006 e 2010. A petista Ana Júlia Carepa obteve uma vitória histórica, mas fez um governo campeão em reprovação e perdeu a disputa pela reeleição em 2010. Jatene assumiu em seu lugar. A gestão do tucano, porém, não cumpriu todas as promessas: a violência no Estado, que tem uma taxa de homicídios três vezes e meia a de São Paulo, continua elevada. O transporte público segue ruim. A aprovação do governo é baixa.

Ainda assim, a rejeição ao nome Barbalho parece ter sido decisiva para a reeleição de Jatene. Governador do Pará por duas vezes (1983 a 1988 e 1991 a 1994), Jader Barbalho pouco compareceu aos palanques do filho, que foi prefeito de Ananindeua, a segunda maior cidade do Pará. O senador já renunciou uma vez ao mandato, para fugir da cassação, depois de ser acusado de surrupiar verbas públicas. Pelo mesmo motivo, passou alguns dias na prisão. O ex-presidente do Senado Federal é acusado de formação de quadrilha pelo desvio de 1,7 bilhão de reais da extinta Sudam, em 2001.

Ataque – Jatene saiu vitorioso de uma disputa marcada por ataques acirrados dos dois lados. O Ministério Público Eleitoral calcula que nessas eleições houve um aumento de 60% no número de ações de propaganda irregular e direito de resposta protocoladas em relação a 2010. Só de propaganda irregular feita em muros e cavaletes foram arroladas mais de 700 ações.