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Secretário de Segurança do Rio anuncia novo comandante da PM

Coronel Erir da Costa Filho assume o posto mais alto da corporação em meio à crise causada pela participação de quadrilha de policiais na morte da juíza Patrícia Acioli

O coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, de 54 anos, é o novo comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito no fim da tarde desta quinta-feira em uma coletiva de imprensa na Secretaria de Segurança do estado. A cúpula da segurança passou a manhã reunida para escolher o substituto do coronel Mário Sérgio Duarte, que pediu exoneração do cargo na noite de quarta-feira.

Costa Filho tem 31 anos de polícia e chefiou diversos batalhões. Em seu currículo, consta a chefia do 14º BPM (Bangu), do 4º BPM (São Cristovão) e do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). O coronel também foi comandante interino do Batalhão de Choque, Diretor Geral de Apoio Logístico do Quartel General e Comandante do Segundo Comando de Policiamento de Área. O seu último posto antes de assumir a chefia da PM era o de comandante do Centro de Comando e Controle da secretaria estadual de Segurança Pública. O momento de maior visibilidade do coronel foi quando acusou o deputado estadual Chiquinho da Mangueira, do PMDB, de pedir para que as operações policiais parassem na favela.

Costa Filho reforçou ser figura conhecida da tropa, que, segundo ele, sabe qual será a sua atuação à frente da corporação. O coronel pouco falou e pouco disse. Ele foi pego de supetão e teve , no máximo, 48 horas para se preparar para assumir o mais alto posto da PM. Com respostas curtas, não necessariamente atendendo à pergunta, Costa Filho deu o seu recado e cometeu algumas gafes. “Os dignos (policiais) terão apoio. Para os outros, a lei”, disse o comandante, que acrescentou: “A formação na academia não vai fazer ninguém digno. Isso vem de berço”. Em seguida, o secretario estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, pegou o microfone para explicar as mudanças de grade curricular da academia de Polícia.

O novo comandante se disse à vontade para assumir a chefia da PM em um momento de crise institucional. “É bom assumir quando está em crise. O crescimento vem da crise”, argumentou. Em terceira pessoa, como gosta de se expressar quando fala de si mesmo, Costa Filho disse ser figura conhecida da tropa e, sem especificar como será a sua atuação, disse que os policiais militares sabem como ele vai agir. “Os PMs, sobretudo os praças e os oficiais (ou seja, praticamente todos), conhecem o Costa Filho”, afirmou.

Como nova medida, o coronel prometeu uma corregedoria mais pró-ativa. O corregedor será trocado e, agora, Costa Filho procura um policial com o perfil de uma pessoa que está “à frente dos problemas”. E, desde já, avisa: “Não conseguirá pegar todos (os casos de policiais com postura incompatível da esperada). Mas o perfil é de alguém que consiga antecipar os fatos”, disse.

Costa Filho escolheu como o chefe do Estado Maior Operacional o coronel Alberto Pinheiro Neto, de 47 anos, e com 26 de Polícia Militar. Neto foi comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) de 2007 até 2009. Atualmente, estava na chefia da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e, desde fevereiro deste ano, acumula também o comando de Operações Especiais da corporação. Para a chefia de gabinete do Comando-Geral, foi escolhida Coronel Kátia Neri Nunes Boaventura. Ela Kátia tem 47 anos e 28 anos de PM. Até ontem, Kátia era comandante da Academia D. João VI.

Beltrame disse estar sem dormir desde domingo por causa da crise na PM. “Se eu quisesse, poderia esconder a cabeça embaixo da mesa, mas não é do meu perfil. Estou de passagem, e não de passeio. Acreditamos piamente no que estamos fazendo (a política de segurança). Vida que segue”, afirmou. O secretário reiterou que a pretensão da política de segurança é muito maior do que cargos e disse que a punição de policiais faz parte. “Era melhor que isso não tivesse acontecendo. Mas não pode haver recuo nesse trabalho. É dessa forma que se ganha a legitimidade com a população. Legitimidade se conquista cortando a própria carne”, afirmou Beltrame

Mário Sérgio pediu exoneração, em caráter irrevogável, por email. A decisão foi motivada pelo indiciamento do comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar (São Gonçalo), tenente coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acioli. A demissão de Duarte é mais um golpe em um dos grandes cartões de visita do governador Sérgio Cabral. O comandante é uma das peças-chaves e figura emblemática da política de segurança de Cabral, que gaantiu sua reeleição e foi manchada recentemente por denúncias de corrupção em várias esferas.

Internado para uma cirurgia na próstata, chamou para si a responsabilidade sobre a nomeação de Oliveira para o comando do batalhão.

Leia a nota oficial do coronel Mário Sérgio Duarte:

Exmo Sr Secretário de Estado de Segurança José Mariano Benincá Beltrame

Dirijo-me a V. Exa para solicitar exoneração do cargo de Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O motivo de fazê-lo se fundamenta na necessidade de não deixar nenhum espaço para dúvidas quanto a minha responsabilidade no processo de escolha dos Comandantes, Chefes e Diretores da Corporação, preservando, de quaisquer acusações injustas, as pessoas que me confiaram a nobre missão que assumi comprometido com a honra, e agora deixo, norteando tal decisão neste mesmo imperativo de valor. Sobre o caso particular que me impõe esta decisão, o indiciamento do Tenente Coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acyoli, e sua consequente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda Unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim.

O Rio de Janeiro, senhor secretário, está em franco processo de recuperação de sua imagem como lugar de tranquilidade pública e paz social não por acaso, mas, seguramente pela aplicação de um conjunto de ações norteadas pela clareza das idéias.

O estado, sua população, cada pessoa que por aqui transita em busca de paz e bem, devem continuar confiando nesta Política Pública que privilegia a vida, desconstrói o ódio e reacende esperanças.

Ao tempo que vos agradeço pela confiança depositada e o apoio nos momentos mais difíceis, solicito-vos que encaminhe este pedido ao Exmo Sr Governador, a quem também explicito meus eternos agradecimentos pela oportunidade e a honra que me concedeu ao nomear-me comandante de minha amada Instituição. Deixo de fazê-lo pessoalmente por me encontrar hospitalizado, convalescendo de uma cirurgia.