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Rainha convida britânicos para comemorar Jubileu

Milhões de britânicos vão comemorar na próxima semana o 60º aniversário da coroação de Elizabeth II durante quatro dias de festividades, que devem aumentar ainda mais a popularidade de uma monarquia revigorada pelo casamento real do ano passado.

Esta maratona festiva, de 2 a 5 de junho, é o ponto máximo dos quatro meses de comemorações do Jubileu de diamante da soberana, que herdou, em 6 de fevereiro de 1952, a coroa de seu pai, Jorge VI. A coroação aconteceu mais de um ano depois, em junho de 1953.

Antes dela, apenas a sua bisavó Vitória reinou por tanto tempo, e dada a saúde de ferro da atual governante de 86 anos, que é chefe de Estado de 16 países incluindo o Reino Unido, há esperança de superar o recorde de longevidade no trono dentro de três anos.

Adiadas para que sejam realizadas com um tempo mais favorável, as festividades começam no sábado com a corrida de cavalos, uma das grandes paixões de Elizabeth II. A monarca vai assistir ao Derby de Epsom, a única das cinco corridas clássicas britânicas em que seus puros-sangues nunca venceram.

O domingo será popular, com um “Grande Almoço” nas ruas e parques de todo o país e uma procissão de 1.000 barcos pelo Tâmisa, que a rainha descerá com sua família em um barco de luxo diante de um milhão de pessoas.

O Palácio de Buckingham, sua residência oficial em Londres, será na segunda-feira o epicentro das comemorações, com apresentações de estrelas da música lideradas por Paul McCartney, Elton John e Kylie Minogue.

A terça-feira, mais solene, começará com uma missa na Catedral de St. Paul e será concluído com um passeio de carruagem, antes da esperada aparição da soberana na varanda do palácio para saudar seus súditos.

Aos 90 anos, o príncipe Philip, recuperado de um problema cardíaco recente, irá acompanhar todos os atos, como o fez durante as viagens da rainha realizadas neste ano pelo país.

William, seu neto e segundo na linha de sucessão, e Catherine, também terão um papel central nas celebrações, 13 meses após seu casamento que trouxe um ar de renovação para a monarquia britânica.

Desde então, a família real bate recordes. Na última pesquisa, realizada este mês pelo instituto Ipsos Mori, 80% dos britânicos disseram apoiar a monarquia, contra 75% antes do casamento real, e apenas 13% se consideraram republicanos.

“Hoje, a popularidade da rainha é tão elevada quanto no momento de sua coroação, em 1953. E isso é realmente incrível quando você pensa quão extraordinariamente impopular se tornou depois da morte de Diana, em 1997”, afirma a historiadora Kate Williams, autora de um livro sobre a rainha.

A rainha tem sido uma constante num mundo em mudança – não por acaso conheceu 12 primeiros-ministros britânicos, muitos presidentes norte-americanos e seis papas -, e seu reinado, naturalmente, passou por altos e baixos.

O momento mais difícil foi nos anos 1990, marcado pelos divórcios de três de seus filhos, incluindo Charles, o herdeiro, e pela morte da princesa Diana, em um acidente de carro em Paris, que lhe rendeu duras críticas por permanecer distante da comoção do povo.

Mas se o Jubileu de Ouro, em 2002, já mostrou que a Elizabeth II mantinha um forte apoio, este irá muito além.

Apesar da austeridade em vigor, Londres foi decorada para a ocasião. Bandeiras britânicas enfeitam as ruas e as lojas estão cheias de lembranças que vão de toalhas a coroas de chocolates e lingerie.

Em um discurso proferido em março passado, o primeiro-ministro David Cameron prestou uma homenagem ao “serviço maravilhoso” da soberana.

“Muitas vezes ouvimos falar de pessoas que a monarquia não passa de um ornamento luxuoso, uma decoração de nossa vida nacional”, disse. “Isto é não compreender a nossa Constituição e subestimar a nossa rainha. Sempre dedicada, sempre determinada e sempre respeitada, é um símbolo da nossa continuidade”.

E, tratando-se de continuidade, a rainha tem reiterado em diversas ocasiões que não tem intenção nenhuma de se aposentar.

“A rainha nunca abdicará. Já deixou claro em várias ocasiões que não abdicará, mesmo se contrair uma doença grave como a de Alzheimer”, disse Kate Williams.