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PSDB pede auditoria nos contratos da Delta no Rio

Pré-candidato à prefeitura, Otávio Leite comanda estratégia para requerer ao TCU inspeção nos projetos da empreiteira que receberam dinheiro público no Rio

“Diante das revelações dos últimos dias, da mecânica fraudulenta de atuação da Delta, é preciso conferir os contratos e analisar se estão dentro dos parâmetros. As práticas a nível nacional revelam-se nocivas ao erário público “, afirma Leite

A cúpula do PSDB fluminense se organiza para uma operação pente-fino nos contratos da Delta com os governos federal, estadual e municipal no estado do Rio. Nesta terça-feira, o deputado federal Otávio Leite entrará com um requerimento no Tribunal de Contas da União (TCU) para pedir uma auditoria em todos os contratos que envolvam as obras da Delta financiadas com recursos federais no Rio. O deputado estadual Luiz Paulo Correa da Rocha fará o mesmo pedido nesta terça ao Tribunal de Contas do Estado. À vereadora Teresa Bergher caberá entrar com requerimento no Tribunal de Contas do Município para fechar o cerco à Delta no estado e na cidade.

Leite é o pré-candidato do PSDB à prefeitura do Rio e, com essa ação combinada entre os tucanos das três esferas do legislativo, planeja transformar as suspeitas que rondam a empreiteira em um dos temas obrigatórios da campanha. Na sexta-feira, no encontro que reuniu o senador Aécio Neves e o deputado federal Sérgio Guerra para firmar Leite na corrida pela disputa ao Palácio da Cidade, foi reforçada a tática de nacionalizar o debate e intensificar a polarização entre PSDB e PT. No Rio, o atual prefeito, Eduardo Paes, do PMDB, é favorito para ser reeleito. Ele deve ter como vice o vereador petista Adilson Pires.

“Diante das revelações dos últimos dias, da mecânica fraudulenta de atuação da Delta, é preciso conferir os contratos e analisar se estão dentro dos parâmetros. As práticas a nível nacional revelam-se nocivas ao erário público “, afirma Leite. O próprio Cabral determinou que uma comissão de sindicância fizesse auditoria para verificar os contratos com a Delta, mas, para Correa da Rocha, presidente do diretório estadual do PSDB, não é suficiente. “Auditoria tem que ser independente”, argumenta. “Cada um dará entrada nos tribunais de contas no nível de sua competência”, explica a tática.

No município, a Delta recebeu na gestão de Paes 353 milhões de reais, em dados atualizados. Dos 10 contratos firmados de 2009 a 2012, três estão em vigor, além de mais um, que veio de herança do governo Cesar Maia. Trata-se de um contrato com a Comlurb para locação de veículos e equipamentos de limpeza urbana ao custo de 163,5 milhões; obras de melhorias físicas e operacionais na Estrada de Inhoaíba, cujo valor foi de 69,5 milhões; obras de urbanização e nos sistemas de água nas edificações da Comunidade Chico Mendes, por 116,2 milhões e implantação do Parque de Madureira, ao custo de 71 milhões.

“Não estamos acusando ninguém, mas não sabemos exatamente o que está acontecendo”, diz a vereadora Teresa Bergher, líder do PSDB da câmara do Rio. Ela afirma ter pedido, no ano passado, requerimento de informação junto a prefeitura para ter acesso aos valores dos contratos. “Não tive acesso a todos os contratos porque o executivo fornece informações imprecisas. Enviaram um contrato e até hoje ainda faltam os outros três que ainda estão em vigor. Alegaram que a controladoria não tinha os contratos e me pediram para ir atrás dos órgãos com quem esses contratos foram estabelecidos (no caso, a secretaria de obras e de habitação, porque a Comlub já havia enviado). Eu pedi e ninguém enviou”, conta Teresa, para quem “está faltando transparência” por parte da prefeitura.

A aliança de Paes com Sérgio Cabral tende a enfrentar alguns revezes. O caso da Delta é o principal deles. Em junho do ano passado, quando a queda de um helicóptero matou a namorada do filho do governador e a mulher de Fernando Cavendish, dono da Delta, veio à tona a relação próxima entre Cabral e o empresário. O governador seguia em outra aeronave, para comemorar o aniversário de Cavendish na Bahia. A partir daí, a relação de Cabral foi escancarada: desde 2007, na gestão do peemedebista, a construtora recebeu 1,16 bilhão de reais do estado do Rio. Paes, ao associar a sua imagem a do chefe do executivo do estado do Rio, reivindicará o bônus dos programas estaduais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) – que começou a ser questionada neste segundo mandato de Cabral- e das Unidades de Pronto -Atendimento (UPA).

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