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PP quer esperar comissão do impeachment para decidir desembarque

Nos bastidores, o governo tem oferecido cargos de primeiro e segundo escalão para evitar a debandada do partido aliado

Com a oferta de robustos cargos à mesa, o PP ainda resiste em seguir o mesmo caminho adotado pelo PMDB e abandonar a aliança com o governo da presidente Dilma Rousseff. Em reunião nesta quarta-feira, a cúpula do Partido Progressista definiu que a data da convenção que vai sacramentar a posição da legenda estará atrelada à comissão que discute o impeachment de Dilma. O colegiado deve definir se pede ou não o afastamento da petista entre os dias 11 e 14 de abril.

Evidenciando o desconforto em abandonar o governo, o presidente da legenda, Ciro Nogueira (PP-PI), evitou se posicionar sobre a reunião e deixou o encontro sem dar declarações. Da mesma forma, o líder do PP na Câmara e ex-ministro de Dilma, deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), adotou um tom mais conciliador e disse que o acordo obtido nesta manhã foi na direção de convocar a reunião da Executiva um dia antes ou imediatamente depois da conclusão dos trabalhos da comissão do impeachment.

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Nos bastidores, o governo tem agido para evitar o rompimento de mais um aliado com o tradicional instrumento de barganha: cargos no primeiro e segundo escalão. Está em jogo o Ministério da Saúde, hoje comandado pelo peemedebista Marcelo Castro, que deve deixar o posto após o fim da aliança entre o PMDB e o Planalto. A maior parte da resistência em se descolar da aliança com Dilma parte de parlamentares implicados na Operação Lava Jato, entre eles o ex-líder Eduardo da Fonte (PP-PE) e o deputado Nelson Meurer (PP-PR). Assim como eles, o presidente da legenda, Ciro Nogueira, também é investigado no escândalo do petrolão.

Após o encontro, os pepistas evitaram tratar das negociações feitas com o governo. Embora Dilma tenha pressa em recompor suas bases com a acomodação de aliados nas cadeiras vagas pelo PMDB, os interlocutores do PP afirmam que só vão se posicionar sobre cargos após a reunião da Executiva e agora falam em apoio a um “projeto de governo”, seja ele de Dilma ou de seu possível sucessor Michel Temer.

“Estamos querendo participação em um programa de governo sem passar pelo fisiologismo”, afirma o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), um dos que trabalham pelo rompimento. “O PP não está negociando restos de governo. Estamos negociando uma proposta de governo, seja esse ou o próximo”, continuou.

Outro articulador do desembarque, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) afirma que já há maioria do partido favorável ao fim da aliança com Dilma. “Temos um grupo que vai aprovar o impeachment. O mais importante é que o partido tome uma posição antes da votação em plenário”, afirmou. Segundo ele, que acredita que a comissão vai pedir o afastamento de Dilma, a pressão popular após a decisão será determinante para a definição de uma posição entre os indecisos e os governistas.