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PF entrega inquérito sobre grupo de contrabandistas

Por Pedro Dantas

Rio de Janeiro – A Polícia Federal (PF) entregou hoje ao Ministério Público Federal (MPF) o inquérito sobre uma quadrilha de brasileiros e israelenses envolvidos com contrabando de carros e exploração de máquinas de caça-níqueis. A PF divulgou o balanço da “Operação Black Ops”, deflagrada na sexta-feira, 7, para prender a quadrilha transnacional.

Onze pessoas foram presas, 42 carros apreendidos em todo o País, R$ 380 mil foram apreendidos em espécie, R$ 60 mil em cheque e US$ 1.250,00. De acordo com a Receita Federal, a quadrilha, comandada pelo israelense Yoran El Al, que foi preso, e pelo contraventor brasileiro Haylton Escafura, ainda foragido, contrabandeou 103 carros de luxo em um ano.

Após receber o inquérito, o Ministério Público pode oferecer denúncia ainda esta semana contra os acusados de operar o esquema e também contra alguns dos clientes que compraram os veículos cientes da situação irregular dos automóveis. Entre os compradores estão jogadores de futebol, como o atacante Emerson, do Corinthians, Diguinho, do Fluminense, além de cantores como Latino e Belo.

Até o início da noite de hoje, o bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, de 83 anos, pai de Haylton e também envolvido no esquema, não havia depositado a fiança de R$ 100 mil estipulada pela Justiça Federal para que ele responda em liberdade às acusações de exploração de caça-níqueis, contrabando de automóveis, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Mesmo que pague a fiança, o contraventor não poderá deixar o país até o final do inquérito.

Ex-motorista de lotação (micro ônibus popular nos anos 1950), na década seguinte, ele passou a dominar as bancas de jogo nos bairros da Piedade, Quintino e Abolição (zona norte), onde mora até hoje. A amizade com a família de Piruinha é um salvo-conduto para os moradores destes bairros, que disputam o adesivo do Haras Escafura para escapar tanto de assaltos como de blitze da polícia.