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PDT unifica discurso em defesa da permanência de Lupi

Por Eduardo Bresciani e Eugênia Lopes

Brasília – A cúpula do PDT unificou o discurso em reunião na noite de hoje em Brasília para defender a permanência de Carlos Lupi a frente do Ministério do Trabalho. Em encontro da executiva nacional, das bancadas na Câmara e no Senado e dos presidentes dos diretórios regionais, apenas dois dissidentes continuaram a defender a saída do ministro e a ampla maioria da legenda passou o recado de que apoia a decisão da presidente Dilma Rousseff de segurar Lupi até a reforma ministerial.

O presidente em exercício do PDT, deputado André Figueiredo (CE), afirmou que o ministro conta com apoio maciço da legenda. “De maneira uniforme ratificamos o apoio ao ministro Carlos Lupi”, disse Figueiredo em entrevista ao lado dos líderes na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), e no Senado, Acir Gurgacz (RO).

Segundo os participantes da reunião, apenas o deputado Reguffe (DF) e o senador Pedro Taques (MT) defenderam que Lupi deixe o cargo e o partido abandone o governo Dilma Rousseff. Também contrário à permanência do ministro, o senador Cristovam Buarque (DF) não participou por estar no lançamento de um livro de sua autoria. Todos os outros participantes – 18 deputados, três senadores e presidentes de 26 diretórios regionais – deram respaldo à permanência do ministro, que é também presidente licenciado da legenda.

Apesar da declaração de apoio, o partido ainda não divulgou nenhuma nota formalizando a posição. Figueiredo afirmou que poderá ser feita uma manifestação oficial de que o partido apoia a permanência de Lupi e o governo da presidente Dilma. Na reunião cogitou-se uma moção de apoio ao ministro, mas diante da falta de unanimidade a ideia não prosperou.

Enquadramento. Durante a preparação para a reunião, alguns dos aliados do ministro chegaram a defender o enquadramento dos dissidentes. Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), disse após encontro com Lupi pela manhã que Reguffe, Taques e Cristovam deveriam sair do partido. “Se as pessoas incomodadas são tão éticas que não podem conviver com o Lupi deveriam pedir para sair”.

A declaração foi mal recebida. Cristovam chegou a sugerir que Paulinho pedisse sua expulsão. “Eu defendo apenas que o Lupi e o PDT deixem o governo, se o Paulinho é mais radical e quer a minha saída do partido basta apresentar um pedido de expulsão para que o partido decida”. O próprio presidente da Força recuou da pressão sobre os dissidentes e apoiou a tática da maioria dos líderes pedetistas de que é melhor deixar os adversários de Lupi isolados.

O ministro participou de toda a reunião. Repetiu a sua versão final sobre o polêmico voo no Maranhão realizado em dezembro de 2009 em um King Air providenciado pelo diretor da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira. Fundamentou sua defesa em manifestações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Na visão de Lupi, o Ministério Público já o teria inocentado no caso. Mesmo com a demonstração de apoio dos correligionários, o ministro saiu sem dar declarações à imprensa.

O líder do PDT na Câmara afirmou que a reunião encerra a discussão do caso dentro do partido. “Não tem nenhum deslize moral ou ético que justifique a saída do Lupi do ministério”, disse Giovanni Queiroz. Secretário-geral do partido, Manoel Dias, chegou a ironizar sobre algum comprometimento ético de Lupi. “Se eu fosse ministro ia pedir logo para um amigo me dar um avião porque não ia ter de ficar pedindo nada para ninguém”.